“Nunca mais vou ver o meu irmão por causa de um bêbado”

A família do homem que foi atropelado mortalmente por um militar da Força Aérea (FA), em Beja, está indignada com a forma como o processo está a ser conduzido pelo Ministério Publico (MP).

“Como é que um militar sai bêbado do local onde trabalha, mata o meu irmão e continua a conduzir todos os dias”, questiona, revoltada, Isabel Manuel, irmã da vítima e emigrante na Alemanha.

O acidente aconteceu ao final da tarde de sexta-feira, 29 de Junho. Jorge Martinho, de 48 anos, fazia a sua volta habitual, de bicicleta, na estrada municipal que faz a ligação da cidade de Beja à Base Aérea Nº11, via IP2. Cerca das 19 horas, o militar que conduzia uma viatura civil, um BMW, chocou com a traseira da bicicleta. O corpo de Jorge Martinho foi projectado cerca de 50 metros. O militar não terá parado logo a viatura. As circunstâncias em que ocorreu o acidente estão a ser investigadas pela GNR que interceptou o homem a cerca de três quilómetros do local do embate. O 1º sargento da Força Aérea acusou uma taxa-crime de 1,7 gramas de álcool por litro de sangue.

O condutor era para ter sido ouvido, em primeiro interrogatório, no Tribunal de Beja. Como os funcionários do MP estavam em greve, o processo desceu a inquérito. Com o início das férias judiciais, vão passar meses até que o 1º sargento da FA seja ouvido em Tribunal.

“Um homem que atropela outro mortalmente, que acusa uma taxa de álcool muito superior ao permitido por lei, que foi apanhado praticamente em flagrante, como é possível ter sido apenas notificado e não ter ficado detido”, questiona Isabel Manuel.

“Eu sei que nada vai trazer o meu irmão de volta mas, a realidade é que nunca mais vou ver o meu irmão por causa de um bêbado”, concluiu.