O Alentejo é uma das regiões do país com maior carência de médicos de família. Os dados mais recentes do Portal da Transparência do SNS, referentes a março, indicam que há mais de um milhão e seiscentos mil utentes sem médico de família em Portugal, mais 30 mil do que no mesmo período do ano passado. Lisboa e Vale do Tejo seguida do Algarve e Alentejo lideram a lista.
Para enfrentar este problema, a Ordem dos Médicos entrega ao Governo um compromisso estratégico pela Medicina Geral e Familiar, centrado no acesso universal a médico de família, na valorização dos profissionais e numa governação clínica que reforce a resposta do SNS.
O documento é discutido no fórum “Reflexão sobre o Futuro da Medicina Geral e Familiar em Portugal”, que reúne, pela primeira vez, entidades representativas do setor, incluindo diretores clínicos, sindicatos médicos, sociedades científicas e associações.
O bastonário Carlos Cortes fala num paradoxo: o número de especialistas cresceu de pouco mais de seis mil em 2015 para mais de nove mil atualmente, mas o número de utentes sem médico de família também aumentou de cerca de um milhão para cerca de um milhão e seiscentos mil. A principal causa, diz, “é a falta de atratividade do SNS, com cada vez mais especialistas a optarem pelo setor privado, pela prestação de serviços ou pela emigração”.
Sobre a abertura recente de 711 vagas para a especialidade, o bastonário considera que houve uma má avaliação na distribuição territorial, deixando de fora zonas altamente carenciadas.
Entre as propostas que a Ordem vai apresentar ao Ministério da Saúde estão a revisão dos modelos de organização dos cuidados de saúde primários e uma reforma das Unidades Locais de Saúde, que na prática, diz Carlos Cortes, têm alimentado um hospitalocentrismo que penaliza os cuidados de proximidade.