A crise política na Junta de Freguesia de Ferreira do Alentejo continua a subir de tom e tem agora um nome no centro da polémica: João Português. O Partido Socialista acusa o dirigente comunista de estar por detrás do impasse político que levou à renúncia dos eleitos da CDU e poderá obrigar à realização de eleições intercalares.
O conflito surgiu após as últimas eleições autárquicas, em que a CDU venceu com quatro mandatos, os mesmos do PS, enquanto o Chega elegeu um representante. Sem maioria absoluta, a composição do executivo da junta tornou-se impossível de aprovar na Assembleia de Freguesia.
Numa carta aberta dirigida à população, a presidente eleita da Junta, Sandra Albino, acusou PS e Chega de bloquearem sucessivamente todas as propostas apresentadas pela CDU, inviabilizando a governação da freguesia. A autarca anunciou ainda a renúncia coletiva dos eleitos e candidatos da CDU, defendendo a marcação de novas eleições para devolver estabilidade à freguesia.
O PS rejeita as acusações e garante que a CDU tentou impor um executivo sem ter maioria política. O porta-voz da concelhia socialista, José João Carias, sustenta que os socialistas recusaram aprovar uma solução onde a CDU ficaria com dois dos três cargos do executivo.
Segundo o dirigente socialista, a situação poderia ter sido resolvida através de um modelo de partilha semelhante ao aplicado noutras eleições autárquicas no concelho.
O PS aponta o dedo à liderança local da CDU, mas é sobretudo João Português que surge como alvo principal das críticas mais duras. José João Carias, numa entrevista ao Diário do Alentejo, acusa-o de ser o “principal responsável pelo bloqueio”, afirmando que “veio para Ferreira do Alentejo mentir, condicionar e fazer jogos políticos”.
O socialista vai mais longe e fala em “terrorismo político”, alegando ainda que João Português “não deixa ninguém ter voz para além dele” e que estaria a condicionar decisões internas da CDU e da própria junta.
O PS defende que o impasse resulta da recusa da CDU em aceitar uma solução proporcional no executivo e considera positiva a realização de eleições intercalares para ultrapassar o bloqueio.
João Português, ex-autarca de Cuba e candidato derrotado nas autárquicas de 2025 em Ferreira do Alentejo, é assim colocado no epicentro de um conflito político local que continua sem solução à vista.