Durante décadas disseram que Beja era “terra garantida”. Que o Alentejo tinha dono político. Que bastava aparecer em campanha, prometer o de sempre e ir embora até às próximas eleições.
Hoje, isso acabou. E o crescimento do Chega no distrito de Beja não é um acidente, nem um desvio momentâneo, é um grito coletivo de quem se cansou de ser esquecido.
O dia 8 de fevereiro não será apenas a data de uma segunda volta presidencial. Será um momento de verdade para Portugal.
Nesse dia, o país terá de escolher entre continuar a fingir que tudo permanece igual ou assumir que muda profundamente a sociedade portuguesa.
A presença de André Ventura nesta segunda volta não é um acaso estatístico nem um erro do eleitorado. É o resultado de anos de abandono do interior, de desprezo por quem trabalha e de uma política feita longe da vida real.
Em Beja, as pessoas sabem bem o que isso significa. Sabem o que é ver serviços a fechar, médicos a faltar, jovens a partir e promessas a repetir-se eleição após eleição.
António José Seguro apresenta-se como a escolha “segura”.
Mas segura para quem? Para quem sempre governou? Para quem sempre decidiu sem ouvir? Para quem fala de estabilidade enquanto o distrito de Beja continua a perder população e oportunidades?
No dia 8 de fevereiro, muitos portugueses vão perceber que essa estabilidade de que tanto se fala é, na verdade, a estabilidade do declínio.
André Ventura representa algo diferente.
Representa a coragem de dizer o que durante anos foi silenciado.
Representa a revolta de quem trabalha, paga impostos e não vê retorno.
Representa quem se levanta às cinco da manhã para trabalhar no campo, quem espera meses por uma consulta, quem vê os filhos partir porque aqui não há futuro.
E isso tudo explica o crescimento do Chega no Alentejo e no distrito de Beja. Aqui, o voto nasce da exaustão. Do cansaço de esperar. Do sentimento de injustiça acumulado ao longo de décadas.
O dia 8 de fevereiro não pode trazer instabilidade. A instabilidade já cá está. Está nos salários que não chegam ao fim do mês. Está nas urgências encerradas. Está nos agricultores deixados à mercê da burocracia e dos custos.
Uma vitória de António José Seguro será lida como um sinal de alívio para o sistema político. Um Presidente previsível, confortável para um Governo do PSD e do CDS, alguém que garante que nada de essencial será questionado.
Já uma vitória de André Ventura no dia 8 de fevereiro representará um abalo no regime político português. Um Presidente que não se cala, que confronta privilégios e que obriga o Parlamento e o Governo a olharem para o país real.
Depois do dia 8, independentemente do resultado, o Chega deixou de ser um fenómeno passageiro. Tornou-se uma força enraizada em Portugal, e também no Baixo Alentejo.
Os Baixo Alentejanos vão ter coragem para mudar, perderam o medo. No dia 8 fevereiro, o país inteiro vai ter de decidir se está preparado para fazer o mesmo.