Odemira vai ser, durante seis dias, a capital do cinema documental. O Doc’s Kingdom, Seminário Internacional de Cinema Documental, realiza-se de 13 a 18 de novembro, com o cinema como tema central, num mundo em crise.
A organização é da Apordoc, Associação pelo Documentário, com financiamento do Instituto do Cinema e do Audiovisual e da Câmara de Odemira. Sessões de cinema e debates estão em destaque no programa, que deverá reunir mais de uma centena de participantes de várias partes do mundo.
O tema deste ano é “Subcorrentes, conjurações”. A ideia é questionar o papel do cinema num tempo em que as imagens estão em todo o lado, mas parecem incapazes de travar a violência e a perda de direitos. O programa reúne obras que evocam a resistência mesoamericana ao colonialismo, o movimento de libertação palestiniano e as consequências de experiências utópicas na antiga Jugoslávia, no Líbano do pós-guerra e no Portugal rural.
A programação foi construída pelas codiretoras Catarina Boieiro e Stefanie Baumann, com o programador brasileiro Victor Guimarães e o libanês Jowe Harfouche. Vão ser exibidos filmes de realizadores da Colômbia, do México, da Sérvia, do Líbano e dos Estados Unidos, e também trabalhos dos portugueses José Álvaro Morais e Sílvia das Fadas.
Haverá ainda uma estreia: a curta-metragem de João Pedro Soares, feita este ano em Odemira, em torno do cultivo do tomate, das suas práticas, histórias e mitologias. O filme nasceu da primeira residência de criação documental do concelho, e uma exposição sobre o processo criativo, feito em diálogo com pequenos agricultores locais, fica patente no Espaço CRIAR.