PCP questiona Governo sobre reativação do ramal ferroviário de Aljustrel

O Grupo Parlamentar do PCP questionou o Governo sobre a reativação do ramal ferroviário de Aljustrel.

A questão dirigida ao Ministro das Infraestruturas e Habitação deve-se à actual produção da Almina (…) que se destina 100% para exportação, utilizando para isso principalmente o porto marítimo de Huelva, mas também os portos Marítimos de Sines, Setúbal e por vezes Lisboa”.

No documento, os comunistas referem que o “transporte, da produção, até estes Portos é realizado com recurso de Camiões, o que implica que diariamente saiam da mina de Aljustrel cerca de três dezenas de viaturas pesadas, que percorrem inclusivamente o centro de aldeias e vilas como Aljustrel e Mértola”.

“O transporte com recurso a veículos pesados, está a trazer consequências negativas, para o ambiente, não só por se tratar de uma opção de transporte mais poluente no que respeita à emissão de gases, mas também porque não está garantida a estanquicidade dos camiões com a libertação de partículas derivadas dos concentrados metálicos que transportam, com evidentes prejuízos para a saúde e segurança das populações”, refere o PCP.

“Os efeitos no estado de conservação das estradas utilizadas para o efeito” é outra das consequências, uma vez que “estas estradas não estão concebidas para suportar tamanho esforço e carga no que respeita ao transporte de minério que é efetuado por elevado número de camiões pesados”.

No documento enviado ao Governo, o PCP relembra que “o complexo mineiro da mina de Aljustrel é servido por um ramal ferroviário, com uma extensão de 8,276 Kms (…) o que permitiria escoar toda a produção de minério por ferrovia, com ganhos para o ambiente, para as populações e infraestruturas da região”.

O Grupo Parlamentar do PCP quer saber se o Governo tem “conhecimento dos efeitos resultantes para a população, ambiente e infraestruturas rodoviárias no que respeita ao transporte de minério, com recurso a viaturas pesadas usado pela Almina”, se “reconhece que o transporte por via rodoviária compromete a saúde e segurança das populações, (…)”, “quais os custos acrescidos com a reparação de infraestruturas rodoviárias danificadas pela sobrecarga resultante do transporte de minério”, “que medidas pensa o Governo tomar para eliminar todos os efeitos prejudiciais resultantes do transporte de minério (…)”, se “reconhece que o Ramal Ferroviário de Aljustrel de apenas 8 km e 276 m é a melhor opção para o transporte de tão avultadas quantidades de minério” e se “está o Governo disponível para implementar um plano de reativação do Ramal Ferroviário de Aljustrel”.

João Dias, deputado do PCP disse à Rádio Pax que tem recebido muitas preocupações “relativamente ao transporte de minério” proveniente da Almina.

Em seu entender, não se justifica que o transporte seja feito por via rodoviária e não ferroviária.