A minha opinião sobre o momento político que atravessemos apenas me vincula a mim pessoalmente. Sem rodeios, o cenário que resultou das preferências dos portugueses no último dia 18 e janeiro não podia ter sido pior, era mesmo aquele que um social democrata, como eu, não desejaria.
Em primeiro lugar o candidato apoiado pelo meu partido teve uma derrota estrondosa, não há outra forma de analisar as coisas, e depois temos como opções para o mais alto cargo da nação um socialista que, apesar de ser moderado, é um socialista que nem no seu partido se conseguiu afirmar e não deixa de representar o socialismo, ideologia que combato diariamente e um populista demagogo, sem ideologia e sem um projeto para o país.
Ou seja, o espaço do centro direita e da direita ficaram fora da grande decisão. André Ventura não é de direita, é apenas um populista, se fosse de direita não tinha havido a debandada de comunistas que houve para o CHEGA.
Permitam-me também pronunciar-me sobre a estratégia adotada por muitos fazedores de opinião do espaço público e mediático colocarem as coisas entre Fascismo ou Democracia para combater André Ventura. É errado, uma coisa é fascismo outra muito diferente é populismo, que não deixa de ser, também, preocupante, e é isso que André Ventura é, aproveita as fragilidades do Sistema Democrático para espalhar o medo e a desinformação jogando assim com a vida e com as emoções das pessoas, criando estados de alma difíceis de contrariar.
Não tenho dúvidas de que André Ventura iria procurar na Presidência da República uma forma de bloquear as políticas do governo o máximo que pudesse, para desgastá-lo até encontrar o melhor momento para ir a eleições legislativas. Portugal não precisa de agendas pessoais, de vinganças e muito menos de eleições, precisa de estabilidade porque há um programa sufragado pelos portugueses para executar.
Do outro lado temos António José Seguro, um homem que o seu partido destituiu de Secretário Geral por considerar ser um líder fraco e sem coragem, sem pôr em causa a sua seriedade, que avançou para estas eleições mesmo sem o apoio inicial do PS, mas a quem pode querer agradar agora para pagar o que não fez no período da Troika (sendo líder da oposição, por diversas vezes não foi um opositor, mas sim, um colaborador do governo em nome do interesse nacional).
Não sou eu que traço este perfil, é a opinião assumida pela maioria dos socialistas, que resistiram a apoiá-lo até à última instância e muitos deles só acabaram por dar a cara quando as sondagens começaram a fazer sonhar e dessa forma atrelar o PS a uma possível vitória, chama-se a isso oportunismo. O partido não o quis por que deverá querer o país?
Estamos perante um dilema, e não é entre o fascismo e o socialismo, é entre o populista que promete tudo a todos sem qualquer responsabilidade, que quer destruir o Sistema do qual ele faz parte (mas diz que não) e que se alimenta das fragilidades do Regime, e o socialista do qual ninguém conhece uma posição ou ideia para o país, que a politica que faz é não fazer politica e se limita a fazer passar a ideia que é sério, sem esquecer o aproveitamento que o PS vai tentar fazer de uma vitória que não é sua mas que quer fazer crer que é.
É confuso, não é? Pois, é como eu me sinto e acredito que se sintam 40% dos eleitores.
No próximo dia 8 de fevereiro, uns irão decidir entre o inimigo e o adversário, outros, entre o risco e a previsibilidade, e ainda há os outros que, simplesmente, não vão decidir.