A Direção da APROSERPA – Associação de Produtores da Região de Serpa “rejeita” o Acordo Comercial entre a União Europeia e o Mercosul.
Em seu entender, “o que está em cima da mesa é uma troca de interesses industriais pelo sacrifício da agricultura do Sul da Europa”.
A Associação fala em “ataque à pecuária” e cita como exemplo a entrada de carne de porco que “com taxa aduaneira de 0% cria um ‘preço de referência’ artificialmente baixo, assente em custos de produção sul-americanos impossíveis de replicar na Europa”.
A APROSERPA acrescenta que este acordo “vem colocar uma ‘lápide’ sobre a produção de cereais no Alentejo.
“Ao garantir eternamente milho a preços de saldo para a indústria, retira-se qualquer incentivo à compra dos cereais de sequeiro nacionais. Sem escoamento garantido, estas culturas perdem viabilidade, eliminando uma ferramenta essencial de rotação de culturas e condenando o solo do Alentejo ao abandono”, adianta.
O acordo tem ainda, segundo a APROSERPA, o risco acrescido para os incêndios pois “a inviabilidade económica da pecuária extensiva e dos cereais levará ao abandono imediato das terras e ao fim da gestão do combustível pelo pastoreio”.
A Associação adianta que não aceita a narrativa de que os produtores estão protegidos e conclui que “é moralmente inaceitável e um atentado à Segurança Alimentar dos portugueses que o Parlamento Europeu autorize a entrada de alimentos que não cumprem os nossos padrões”.