Quando a burocracia do Estado mata o interior

Quando a burocracia do Estado mata o interior

Há um mal silencioso, mas profundamente enraizado, que mina há décadas o progresso do interior do nosso país: a burocracia. Não uma burocracia saudável, reguladora, que garante transparência e legalidade. Falo antes de um monstro labiríntico, de olhos vendados e ouvidos tapados, que impede que o desenvolvimento avance, que trava projetos, desgasta vontades e faz com que cada conquista chegue tarde e a ferros.

No interior, onde cada investimento conta, onde cada serviço público faz a diferença entre o isolamento e a dignidade, é inadmissível que sejam os próprios mecanismos do Estado a dificultar aquilo que deveria ser facilitado. Falta comunicação entre organismos, sobra papelada e demoram-se decisões. A palavra “simplificar” parece ter ficado esquecida nalgum regulamento dos anos 80, e o verbo “resolver” anda totalmente afastado do vocabulário institucional.

As câmaras municipais, essas sim, conhecedoras do terreno, atentas ao pulso das comunidades, esforçam-se por melhorar as condições de vida dos seus munícipes. Mas deparam-se, demasiadas vezes, com um Estado central que não ouve, não entende e, pior ainda, não colabora. Que sentido faz termos autarquias mobilizadas, com projetos financiados, estudos feitos, vontades alinhadas e, depois, vermos tudo travado por processos que não avançam porque falta um parecer, uma assinatura, um despacho?

É certo que há regras a cumprir. Ninguém defende aqui um país à margem da legalidade. Mas a rigidez cega, o excesso de formalismo, o medo da decisão, não podem continuar a ser desculpas para atrasar o futuro de quem já vive com pouco.

O interior precisa de Estado, mas de um Estado presente, coerente, descomplicado. Precisa que os serviços públicos falem uns com os outros. Precisa de estruturas que saibam adaptar-se ao território e às suas especificidades. Precisa, acima de tudo, de um país que deixe de tratar os seus municípios como meros pedintes e comece a vê-los como parceiros estratégicos.

Chega de obstáculos criados por quem deveria abrir caminhos. A dignidade das populações do interior exige mais do que promessas: exige ação. E isso começa por algo tão simples como uma mudança de atitude. Que o Estado se lembre que o seu papel não é impedir. É servir.

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