As eleições para a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Alentejo ficaram marcadas por um forte protesto político, segundo o PCP. Os comunistas acusam o PS e PSD de terem abandonado o diálogo democrático e de desrespeitarem o poder local.
Em comunicado, a Direção Regional do Alentejo do PCP afirma que o processo de nomeação do novo Conselho Diretivo da CCDR “ficará marcado pelo desrespeito pelo poder local democrático, pela região e pelas suas instituições”. Os comunistas consideram ainda que houve um “abandono por parte do PS e PSD de práticas de diálogo democrático que marcaram várias décadas do relacionamento institucional na região”.
De acordo com o PCP, dos 1.284 autarcas que integravam o colégio eleitoral, 588 não legitimaram o processo, seja por não votarem, seja através de votos brancos ou nulos. “Ou seja, 44,7% dos eleitos autárquicos decidiram não legitimar este processo com o seu voto”, sublinha o partido.
Para os comunistas, estes números não podem ser vistos como simples abstenção. “É a tradução de um posicionamento político consciente de protesto institucional”, frisa o comunicado, acrescentando que se trata de “um facto político importante e inédito que PS e PSD não podem ignorar”.
O PCP deixa ainda um apelo aos futuros membros do Conselho Regional da CCDR Alentejo para que “expressem a condenação pelo desrespeito à sua autonomia de decisão” e rejeitem qualquer tentativa de instrumentalização partidária.
Apesar das críticas, o socialista Ricardo Pinheiro foi eleito presidente da CCDR Alentejo com 74,5% dos votos, substituindo António Ceia da Silva. Segundo a Direção-Geral das Autarquias Locais, votaram 934 autarcas, registando-se ainda 210 votos em branco e 28 votos nulos.
As eleições indiretas das CCDR resultaram de um acordo entre PS e PSD e levaram à eleição dos cinco presidentes regionais em todo o país.