Regresso do modelo da Brigada de Trânsito ganha força e recolhe apoio de ex-militar da GNR de Beja

O aumento da sinistralidade rodoviária em Portugal está a levar a Guarda Nacional Republicana a propor uma reorganização profunda da Unidade Nacional de Trânsito, recuperando o modelo da antiga Brigada de Trânsito.

Até 13 de abril, já se registaram 145 mortos nas estradas portuguesas, mais 42 do que no mesmo período do ano passado, um aumento de 22%. Números que colocam Portugal como o sexto pior país da União Europeia em taxa de mortalidade rodoviária.

Perante este cenário, a GNR defende um modelo mais centralizado, com comando nacional, maior mobilidade de meios e atuação orientada por dados e zonas de risco, integrando os 23 destacamentos de trânsito numa única estrutura.

A proposta surge também como resposta às limitações da atual organização, nomeadamente a dispersão de comando e dificuldades na uniformização de procedimentos, problemas já apontados aquando da extinção da Brigada de Trânsito.

A reação não se fez esperar. José Alho, que integrou a Brigada de Trânsito durante mais de duas décadas, considera que “a extinção da BT foi um erro crasso”, lembrando que a própria decisão foi, mais tarde, criticada pelo então responsável político.

O também presidente da Associação Sócio-Profissional Independente da GNR defende que o combate à mortalidade rodoviária exige presença efetiva no terreno. “Só se consegue combater este fenómeno com agentes nas estradas, identificados e também com veículos descaracterizados, para detetar manobras perigosas”, afirma.

José Alho alerta ainda para novos desafios, como o aumento da circulação internacional e diferenças nos hábitos de condução, defendendo um reforço urgente de meios. “A Brigada de Trânsito precisa de, pelo menos, mais mil efetivos, com formação especializada”, sublinha.

Para o dirigente, a eficácia passa também por um comando único e por incentivos que atraiam novos militares para esta área. “Sem motivação e sem mística, nada se consegue”, reforça.

A GNR prevê uma implementação faseada do novo modelo, com o objetivo de garantir maior eficácia no combate à sinistralidade e reforçar a segurança nas estradas portuguesas.

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