A rede criminosa de auxílio à imigração ilegal desmantelada pela Polícia Judiciária vai começar a enfrentar a justiça já hoje. Os 17 detidos, entre eles 10 militares da GNR e um agente da PSP, serão presentes ao juiz do Tribunal Central de Instrução Criminal, em Lisboa, a partir da tarde desta quarta-feira.
A operação, que abalou as forças de segurança, revelou um esquema que controlava centenas de trabalhadores em situação ilegal em Beja, Portalegre, Figueira da Foz e Porto. Em causa estão crimes de auxílio à imigração ilegal, falsificação, fraude fiscal e branqueamento de capitais.
A diretora da Obra Católica Portuguesa de Migrações alerta que a participação de elementos das forças de segurança “prejudica gravemente a confiança no Estado”, agravando o clima de desconfiança já sentido pelas comunidades migrantes. Eugénia Quaresma lembra que estas redes exploram a vulnerabilidade dos imigrantes e critica discursos políticos que “diabolizam” quem chega ao país, em vez de exporem falhas no sistema de regulação.
Já o presidente do Observatório de Segurança, Criminalidade Organizada e Terrorismo considera que, apesar de fragilizar a imagem das instituições, este caso não as abala. Francisco Rodrigues sublinha que “uma árvore não compromete a floresta”, mas admite que a presença de agentes do Estado em esquemas criminosos é sempre um golpe duro para a credibilidade pública.