Os agricultores do concelho de Serpa estão hoje, sexta-feira, 30 de janeiro, na estrada numa grande ação de protesto, sob a forma de marcha lenta, mobilizando tratores e máquinas agrícolas no Baixo Alentejo.
A iniciativa é promovida pela APROSERPA – Associação de Produtores do Concelho de Serpa, que reage ao que considera ser uma “tempestade perfeita” a atingir a agricultura da região, causada pela ameaça do acordo União Europeia–Mercosul e pelas falhas da atual Política Agrícola Comum.
Em comunicado, a associação alerta que a ratificação do acordo com o Mercosul pode representar a “lápide final” para muitas explorações agrícolas, ao permitir a entrada de produtos sul-americanos que, segundo os produtores, não cumprem as mesmas regras sanitárias, ambientais e laborais exigidas aos agricultores europeus.
A APROSERPA denuncia ainda a inviabilidade económica das culturas de sequeiro e da pecuária extensiva no Alentejo e alerta que o abandono da atividade agrícola poderá agravar o risco de incêndios rurais e acelerar a desertificação humana do interior.
Outro dos pontos centrais do protesto é a negociação da próxima Política Agrícola Comum. Os agricultores rejeitam cortes no orçamento da agricultura e exigem o reforço das verbas, defendendo que não aceitam uma PAC que obrigue a produzir mais com menos, num contexto de custos de produção em alta.
A marcha lenta começou às oito e meia da manhã, em Vila Nova de São Bento, seguindo pela EN 260 em direção a Serpa. Está prevista uma paragem junto à Ponte do Guadiana, entre as nove e meia e as dez da manhã, onde a direção da APROSERPA presta declarações à comunicação social. A chegada a Serpa está marcada para o início da tarde, com concentração no Parque de Feiras e Exposições, estando a desmobilização prevista para as cinco da tarde.
A Associação garante que a ação foi comunicada às autoridades e que decorre de forma pacífica e cívica, assegurando a circulação de emergência e sem bloqueios na Ponte do Guadiana.