O ano de 2026 promete inflação mais baixa, nos 2,1%, e um novo alívio no IRS, mas a realidade do dia-a-dia vai ser bem mais dura para as famílias portuguesas. Rendas, transportes, telecomunicações, portagens, carne e peixe vão ficar mais caros, num ano em que, apesar do aumento do salário, o dinheiro continua a não esticar.
A eletricidade sobe 1% no mercado regulado, afetando mais de 800 mil clientes, enquanto no mercado liberalizado há ligeiras descidas para quem é cliente da EDP ou da Galp. A água deverá encarecer na maioria dos municípios, o gás natural mantém preços elevados e as telecomunicações voltam a aumentar, com as principais operadoras a atualizarem tarifas em linha com a inflação.
Nos transportes, viajar de comboio vai custar mais, com os bilhetes da CP a subir mais de 2%, e também Lisboa e Porto registam aumentos nos bilhetes ocasionais. As portagens sobem mais de 2%, apesar de algumas isenções em troços do interior e do Alentejo.
O maior choque chega ao supermercado: carne e peixe deverão subir cerca de 7%, segundo a distribuição, tornando inevitável o aumento do preço dos alimentos. O pão sobe ligeiramente, mas abaixo da inflação. Do lado positivo, a fatura da farmácia não aumenta, com muitos medicamentos essenciais a manterem o preço.
As rendas de casa sobem 2,24%, o IMI aumenta para novas construções e regressam as comissões bancárias no crédito à habitação, agravando o peso das prestações.
Em resumo, 2026 pode trazer números mais simpáticos nos gráficos, aumentos de salários e subidas nas pensões. A realidade é que os aumentos podem não ser suficientes para responder à subida do custo de vida. Na prática será mais um ano de apertos no orçamento, com as famílias a sentirem o custo de vida a subir.