As obras de requalificação na ligação rodoviária entre Beja e Ferreira do Alentejo estão no terreno, mas continuam a suscitar dúvidas quanto à sua verdadeira ambição e impacto estrutural.
Em entrevista à Rádio Pax, o engenheiro civil Luís Melo, ex-diretor de Estradas de Beja no antigo organismo Estradas de Portugal, mostrou-se desiludido e cauteloso face à intervenção em curso. Segundo afirma, apenas as variantes de Figueira dos Cavaleiros e Beringel cumprem os critérios técnicos de um itinerário principal (IP). “O resto é, na prática, uma repavimentação com pouca melhoria estrutural”, sublinha.
Intervenção entre Beja e Ferreira fica aquém de um verdadeiro Itinerário Principal, diz Paulo Arsénio
Ouvido pela Rádio Pax, também o presidente da Câmara Municipal de Beja, Paulo Arsénio, partilha desta leitura. O autarca refere que, na sua maioria, os trabalhos em execução dizem respeito à requalificação das estradas nacionais 121 e 259, com alargamento de bermas e reforço da iluminação em alguns troços. A única alteração de relevo será, segundo Arsénio, a melhoria dos acessos à zona da Solávil, que ficará mais segura.
“O que está a ser feito entre Beja e Ferreira do Alentejo é uma melhoria superficial da atual infraestrutura, ficando assim aquém do esperado itinerário principal (IP) para a região.
Esta análise reforça o sentimento de que o Baixo Alentejo continua a aguardar uma verdadeira aposta nas acessibilidades rodoviárias, que tantos anos leva de promessa em promessa.
Pita Ameixa defende ligação estratégica entre Beja e Sines
Já o presidente da Câmara Municipal de Ferreira do Alentejo, Luís Pita Ameixa, considera que as obras em curso entre Beja e Ferreira representam uma melhoria nas acessibilidades, mas sublinha que ficam aquém das reais necessidades da região e não podem ser consideradas um verdadeiro Itinerário Principal.
Em declarações à Rádio Pax, o autarca defende que o investimento mais estratégico seria a ligação entre Santa Margarida do Sado e Sines, um troço que chegou a avançar no terreno, mas que se encontra incompleto e parado.
Para Pita Ameixa, retomar essa ligação seria fundamental para aproximar Beja do litoral alentejano, reforçando a competitividade do interior e garantindo uma ligação direta ao porto de Sines, um dos principais centros logísticos do país. Era de estrema importância “pôr Beja ao pé de Sines”, afirma o edil.
O presidente da autarquia ferreirense considera que esta obra deve ser prioritária no plano de desenvolvimento do Baixo Alentejo, como forma de atrair investimento, melhorar a mobilidade e potenciar a economia regional.
A região continua à espera de soluções à altura das suas potencialidades, num tema que, apesar de antigo, tem tido poucos avanços concretos no terreno.