Um estudo recente sobre o olival no perímetro de rega de Alqueva revela que esta cultura é hoje um pilar da economia agrícola do Alentejo, mas que exige uma gestão equilibrada para garantir a sua sustentabilidade.
De acordo com o documento, coordenado pela Empresa de Desenvolvimento e Infraestruturas de Alqueva (EDIA), com a colaboração de vários organismos do Ministério da Agricultura, em 2018 o olival ocupava 179 mil hectares no Alentejo e 361 mil hectares em todo o país, representando 9,5% da Superfície Agrícola Útil nacional. A última década foi marcada por uma forte transição do sequeiro para o regadio, o que impulsionou a produtividade e permitiu que Portugal passasse de importador crónico de azeite a exportador, com um saldo positivo de 250 milhões de euros.
O relatório sublinha que o olival é uma cultura adaptada às condições de Alqueva, com baixas necessidades hídricas, resistência a pragas e doenças, e capacidade de melhorar a qualidade do solo quando se aplicam boas práticas, como o enrelvamento das entrelinhas. A aposta nesta fileira tem também permitido rentabilizar os investimentos públicos em regadio, criar emprego e fomentar o investimento em agroindústria, com destaque para lagares de última geração.
No entanto, o estudo não ignora as críticas que parte da sociedade associa ao olival intensivo, nomeadamente o impacto visual de grandes áreas contínuas, a alteração da paisagem tradicional alentejana e casos pontuais de incumprimento ambiental. Reconhece-se, assim, a necessidade de reforçar a monitorização e quantificação dos impactos desta cultura, bem como a articulação entre as entidades públicas que gerem o setor.
Entre as recomendações apresentadas estão a criação de um “balcão único” para simplificar procedimentos, ações de sensibilização junto dos agricultores, incentivos à economia circular e valorização de resíduos, instalação de sebes e corredores ecológicos, definição de distâncias mínimas para aplicação de fitofármacos e a obrigatoriedade de planos de boas práticas para grandes plantações.
O estudo conclui que o olival de regadio, quando gerido de forma responsável, pode ser um aliado no combate à desertificação e na captura de carbono, desempenhando um papel relevante nos objetivos climáticos nacionais. Contudo, reforça que o equilíbrio entre produtividade, conservação ambiental e diversidade agrícola é fundamental para garantir um desenvolvimento regional sustentável no Alentejo e no país.