A notícia vinda de Ferreira do Alentejo, divulgada pela Rádio Pax, dá conta de um impasse político que está a marcar a tomada de posse dos novos órgãos da Junta de Freguesia. O cenário é claro: a CDU e o PS não se entendem quanto à composição do executivo, e o resultado é um bloqueio que mancha o início do novo mandato autárquico.
A CDU, que venceu as eleições e garantiu a presidência da Junta, sem maioria, quer formar um executivo com dois representantes seus e apenas um do PS. Já o Partido Socialista defende que o executivo deve refletir o resultado democrático das urnas, integrando também o Chega, partido que conquistou pela primeira vez representação na Assembleia de Freguesia.
A posição da CDU — ao recusar a presença do Chega nos órgãos da Junta — é uma tentativa de manter maioria política à margem do voto popular. Independentemente das preferências ideológicas, o que está em causa é o respeito pela vontade dos eleitores. Quando o povo decide, todos os votos contam, até aqueles com que não concordamos.
Durante a cerimónia de tomada de posse, registaram-se momentos de tensão e protestos por parte de alguns apoiantes da CDU, o que acabou por ensombrar um ato que deveria ser de celebração democrática. Estas atitudes mostram como a cultura democrática ainda enfrenta desafios, sobretudo quando o resultado eleitoral não agrada a determinadas forças políticas, como é o caso do PCP.
É legítimo esperar dos responsáveis políticos postura institucional e sentido de liderança, sobretudo em momentos de impasse. Quando isso não acontece – como foi o caso – quando a serenidade dá lugar à agitação partidária – como foi o caso – perde-se o respeito pela própria democracia.
Infelizmente, episódios como este contribuem para o enfraquecimento do PCP. É preocupante para a nossa democracia ver o PCP caminhar para a irrelevância política. A postura de alguns dos seus militantes contribui, infelizmente, para acelerar esse declínio.