Em pleno mês de novembro, o surto de Língua Azul nos ovinos continua a agravar-se de forma preocupante no distrito de Beja. A doença já afetou cerca de 240 explorações na região. As perdas acumulam-se e o setor fala numa situação “insustentável”, que ameaça a continuidade de muitas atividades agropecuárias.
Os concelhos mais atingidos são Castro Verde, Almodôvar, Ourique e Aljustrel, onde se contabilizam centenas de ovelhas mortas, fêmeas que têm abortado sucessivamente e numerosos borregos que não sobrevivem, muitos deles por falta de leite, já que as ovelhas deixam de produzir após a vacinação e medicação. Os custos disparam, o rendimento das explorações cai e há produtores que temem não conseguir recuperar.
Perante este cenário, o setor intensificou os alertas. A Federação das Associações de Agricultores do Baixo Alentejo enviou uma carta ao Ministro da Agricultura e Mar a pedir medidas urgentes. Os agricultores afirmam que as vacinas, apesar de essenciais, não estão a ser totalmente eficazes e têm provocado efeitos colaterais graves nos rebanhos.
O deputado do PS eleito por Beja, Pedro do Carmo, já questionou diretamente o ministro José Manuel Fernandes, defendendo apoios específicos e imediatos para os produtores afetados. O parlamentar acusa o Governo de limitar a resposta à vacinação, ignorando “os custos avultados com suplementos vitamínicos, antibióticos, anti-inflamatórios e a alimentação de borregos a biberão”, despesas que “estão a arruinar as explorações”.
Pedro do Carmo critica ainda a postura do deputado do PSD eleito pelo distrito, afirmando que “Gonçalo Valente limita-se a ouvir o ministro e a repetir o que o ministro diz”.
Apesar da vacinação estar a decorrer com normalidade, produtores e associações avisam: só a vacina não chega. E mesmo que a descida das temperaturas ajude a travar a propagação do vírus, os estragos já estão a marcar profundamente o setor.
Sem uma intervenção rápida e eficaz, alertam os agricultores, o impacto económico e social poderá ser muito severo num território onde a pecuária extensiva é um dos pilares fundamentais da economia rural.