A associação ambientalista Zero acusa o Governo de acabar com a resiliência do Alqueva enquanto reserva estratégica de água, ao autorizar o aumento da extração anual em mais 110 milhões de metros cúbicos.
Segundo a Zero, 100 milhões de metros cúbicos destinam-se ao regadio, decisão tomada através de um despacho interministerial que, na ótica dos ambientalistas, premia a má gestão da água e favorece o agronegócio.
A associação alerta que esta medida reduz a garantia de abastecimento em cenários extremos, ficando apenas assegurada uma reserva mínima para consumo público, inferior a 5% do total utilizado. Acrescenta que o empreendimento deixa de estar preparado para o pior cenário de escassez.
Em comunicado, a Zero critica a expansão desregrada do regadio, defende uma pós-avaliação multidisciplinar do projeto de Alqueva e lembra que a maioria da água serve interesses privados, sobretudo monoculturas destinadas à exportação.
Os ambientalistas apelam ainda ao cumprimento da Diretiva Quadro da Água e pedem maior controlo na gestão futura dos recursos hídricos do Alqueva.