Os agricultores do Baixo Alentejo vão ter esta sexta-feira, 13 de fevereiro, a oportunidade de esclarecer dúvidas sobre a reforma da Política Agrícola Comum e o acordo entre a União Europeia e o Mercosul, numa sessão marcada para as quatro da tarde, no auditório do NERBE/AEBAL – Associação Empresarial do Baixo Alentejo e Litoral.
A iniciativa é promovida pela Federação das Associações de Agricultores do Baixo Alentejo, pela ACOS – Associação de Agricultores do Sul e pela Confederação dos Agricultores de Portugal. A sessão conta com a participação da direção e de técnicos da CAP, além de outros convidados, e está aberta a todos os agricultores da região.
O encontro realiza-se num momento de forte contestação no setor. Recorde-se que, no passado dia 30 de janeiro, agricultores do concelho de Serpa promoveram uma grande ação de protesto, sob a forma de marcha lenta, mobilizando tratores e máquinas agrícolas em várias vias do Baixo Alentejo.
A iniciativa foi organizada pela APROSERPA – Associação de Produtores do Concelho de Serpa – que denunciou aquilo que considera ser uma “tempestade perfeita” a atingir a agricultura da região, apontando críticas à atual Política Agrícola Comum e à ameaça representada pelo acordo com o Mercosul.
Segundo a associação, a eventual ratificação do acordo poderá representar a “lápide final” para muitas explorações agrícolas, ao permitir a entrada de produtos sul-americanos que, alegam os produtores, não cumprem as mesmas exigências sanitárias, ambientais e laborais impostas aos agricultores europeus.
A APROSERPA alerta ainda para a crescente inviabilidade económica das culturas de sequeiro e da pecuária extensiva no Alentejo, sublinhando que o abandono da atividade agrícola poderá agravar o risco de incêndios rurais e acelerar a desertificação humana do interior.
A sessão desta tarde, em Beja, surge assim como um momento de esclarecimento e debate num setor que atravessa uma fase de incerteza e reivindicação no Baixo Alentejo.