A criminalidade no Baixo Alentejo registou uma subida ligeira em 2025, mas os dados mais recentes do Relatório Anual de Segurança Interna (RASI) revelam uma realidade mais preocupante: o crime violento aumentou de forma expressiva, deixando sinais de alerta na região.
No distrito de Beja, foram registadas 5.415 participações criminais no último ano, mais 44 do que em 2024, o que representa um crescimento residual de 0,8%. Ainda assim, este aumento coloca Beja entre os 14 distritos do continente onde a criminalidade geral subiu, acompanhando a tendência nacional, que registou um acréscimo de 3,1%, totalizando 365.802 ocorrências.
Contudo, é no capítulo da criminalidade violenta que os números mais impressionam. O distrito passou de 142 casos para 167 em 2025, uma subida de 25 ocorrências, equivalente a um aumento de 17,6%. Um crescimento significativo que contrasta com a relativa estabilidade da criminalidade geral.
A nível municipal, Beja continua a liderar em número de ocorrências, com 1.350 casos, seguida de Odemira (914), Moura (494) e Serpa (440). No extremo oposto surgem Mértola (103) e Barrancos (75), os concelhos com menos participações registadas.
Entre os crimes mais reportados destacam-se a ofensa à integridade física voluntária simples, com 468 casos e uma subida acentuada de 27,2%, a violência doméstica contra cônjuge ou análogos, com 353 ocorrências (+2,9%), e a condução sob o efeito do álcool, com 341 casos (+4,6%).
Ainda assim, o dado mais alarmante prende-se com os incêndios. Segundo o RASI, os crimes de incêndio ou fogo posto quase duplicaram, com um aumento de 49,1%, atingindo as 261 ocorrências.
Apesar do crescimento global ser moderado, os números revelam mudanças preocupantes no tipo de criminalidade, com destaque para o aumento da violência e dos incêndios, fatores que colocam novas exigências às autoridades e à prevenção no território.