A situação nos Bombeiros Voluntários de Cuba está a agravar-se e levanta sérias preocupações quanto ao futuro da corporação. Nos últimos tempos, vários operacionais têm vindo a abandonar o corpo ativo, numa altura já marcada pela recente demissão do comandante.
Segundo apurou a Rádio Pax, pelo menos cinco bombeiros deixaram a corporação e integraram já os quadros das corporações de Vidigueira e Ferreira do Alentejo, um movimento que evidencia o clima de instabilidade vivido internamente.
Recorde-se que, ontem, a Rádio Pax avançou com a notícia da renúncia de José Galinha ao cargo de comandante, com efeitos a partir de 13 de abril. Na carta a que tivemos acesso, o responsável justificou a decisão com a falta de condições para continuar a exercer funções com a eficácia e disponibilidade exigidas, numa saída que surge numa fase particularmente delicada.
Apesar de deixar o comando, José Galinha mantém-se na corporação, assumindo agora funções como Oficial Principal.
Esta não é, no entanto, a primeira vez que surgem sinais de alerta. Em agosto do ano passado, a Rádio Pax revelou que a corporação enfrentava uma situação considerada “alarmante e insustentável”, devido ao estado crítico do parque automóvel. Na altura, operacionais denunciaram que a falta de meios colocava em risco a eficácia do socorro e a segurança dos próprios bombeiros.
A 14 de agosto do ano passado, durante o grande incêndio em Vila Alva, no concelho de Cuba, a Rádio Pax já tinha revelado a fragilidade da corporação.
Nesse mesmo incêndio, dos três veículos de combate a fogos rurais, dois encontravam-se avariados e o terceiro acabou por falhar no momento mais crítico. O único meio em melhores condições estava fora do distrito, destacado no combate a incêndios em Trancoso, no distrito da Guarda.
Dias depois, a 20 de agosto, a situação agravou-se com nova avaria de uma viatura. Um bombeiro chegou a alertar para o risco real no terreno, acusando a direção de estar a “brincar com a vida dos operacionais”.
Mas os problemas não se ficam pelos meios. Na altura, surgiram também denúncias graves de alegada manipulação política, vigilância interna e intimidação dentro da corporação, criando um ambiente descrito como “insuportável”.
Segundo fontes ouvidas pela Rádio Pax, a associação estaria sob influência do Partido Comunista Português, através de elementos da direção, incluindo o antigo presidente da Câmara de Cuba, João Português, e o presidente da direção, José Cabrita. Contactado na altura, João Português recusou comentar, apontando para o contexto pré-eleitoral.
A instabilidade ficou também evidente em setembro de 2024, quando eleições para os órgãos sociais foram travadas por um protesto inédito: bombeiros colocaram os capacetes à porta do quartel e ameaçaram suspender funções, denunciando irregularidades no processo eleitoral.
As tensões persistem até hoje. Várias fontes garantem que o agora ex-comandante, José Galinha, terá sido alvo de críticas constantes, sendo acusado de comportamentos como arrogância, ameaças e práticas de controlo consideradas “pouco ortodoxas”, incluindo alegada vigilância por câmaras com áudio em espaços comuns.
Há ainda relatos de processos disciplinares considerados injustos, como o caso de uma bombeira que terá avançado para tribunal após sanção interna.
As denúncias estendem-se também à gestão financeira, com pedidos de auditoria à associação, devido à alegada falta de transparência.
Apesar das várias tentativas, a Rádio Pax não obteve, na altura, qualquer resposta do presidente da direção às questões colocadas.
Com um histórico marcado por falhas operacionais, conflitos internos e acusações graves, a corporação de Cuba enfrenta uma das fases mais críticas da sua história recente. A Rádio Pax continuará a acompanhar este caso, que promete novos desenvolvimentos.