Vila Alva, no concelho de Cuba, foi palco, nos últimos dias, de um dos maiores incêndios da região. Este fogo revelou, de forma alarmante, a fragilidade dos meios dos Bombeiros de Cuba.
Mais de 100 operacionais, apoiados por 43 viaturas de várias corporações e um meio aéreo lutaram contra um fogo que se propagou a uma velocidade assustadora. Apesar dos esforços, a falta de meios eficazes permitiu que as chamas rapidamente se transformassem num inferno de grandes dimensões.
O cenário é digno de “preocupação”: o parque automóvel dos Bombeiros de Cuba está em estado crítico. “Temos carros velhos. Um deles tem mais de 40 anos”, denuncia uma fonte da corporação. O prazo de vida operacional destas viaturas deveria ser de 15 anos, mas a maioria já ultrapassou as três décadas.
A situação roça o absurdo. Dos três veículos de combate a incêndios rurais, dois estão avariados. O terceiro também falhou, mas foi reparado no calor da batalha pela persistência e engenho dos bombeiros. O único veículo em melhores condições é de abastecimento e nem sequer estava na região: encontrava-se a ajudar no combate a incêndios em Trancoso, distrito da Guarda.
“É complicado trabalhar assim, sem ovos não se fazem omeletes”, desabafou a mesma fonte, traduzindo em poucas palavras a frustração e o risco diário a que estão sujeitos.
A realidade vivida pelos Bombeiros de Cuba reflete-se em grande parte nas corporações do Baixo Alentejo.
Estes homens e mulheres, que colocam a vida em perigo para proteger comunidades inteiras, estão a enfrentar um inimigo não só feito de fogo e vento, mas também de negligência e falta de investimento. E quando o próximo incêndio chegar, porque vai chegar, resta a pergunta: com que meios vão lutar?