Moradores e proprietários de terrenos na zona envolvente ao Bairro das Pedreiras, em Beja, onde reside uma das maiores comunidades ciganas do país, dizem estar “saturados e revoltados” com a situação de insegurança que se vive diariamente. Estas pessoas denunciaram à Rádio Pax furtos constantes, atos de vandalismo e episódios de violência.
Ao longo das últimas semanas, vários residentes relataram à Rádio Pax um clima de medo e impunidade, afirmando que muitos já deixaram de apresentar queixas às autoridades por considerarem que “não adianta nada”.
Um dos proprietários, que prefere manter o anonimato com receio de represálias, descreve prejuízos frequentes nas suas terras, com vedações destruídas, árvores derrubadas e furtos quase diários. Há também relatos de ocupação ilegal de habitações, com proprietários impedidos de aceder aos seus próprios imóveis.
Outro residente aponta para a ocorrência regular de disparos com armas de fogo, descrevendo o ambiente como “uma carreira de tiro”. A mesma fonte denuncia ainda o aumento de furtos de azeitona nos olivais da zona, causando prejuízos que considera difíceis de contabilizar.
A situação estende-se também a equipamentos recentemente instalados junto ao bairro. Três contentores destinados a atividades para crianças foram vandalizados, com vidros partidos e sinais de incêndio no interior.
Os moradores denunciam também situações de intimidação e atitudes agressivas na via pública, o que tem levado muitos a evitar passar naquela zona. Um dos testemunhos relata que “de um momento para o outro tudo pode acontecer”, lembrando um episódio em que foi alvo de agressão e chegou a ser cuspido.
Perante a gravidade dos acontecimentos, alguns residentes e proprietários reuniram com Luís Figueira, presidente da Junta de Freguesia de Salvador e Santa Maria, a quem expuseram as preocupações. Contactado pela Rádio Pax, o autarca confirma que está a par da situação e defende a necessidade de uma resposta articulada entre o Governo, entidades regionais e representantes da comunidade cigana, sublinhando a importância de uma Estratégia Nacional para a Integração das Comunidades Ciganas como caminho para resolver o problema.