Os recentes casos registados no Alentejo voltaram a colocar a Guarda Nacional Republicana sob forte escrutínio público. Apesar disso, o comandante-geral da corporação, tenente-general Rui Veloso, rejeita qualquer existência de racismo na Guarda e garante que os episódios conhecidos são “pontuais”.
Em causa estão dois processos com origem no Alentejo. A operação “Safra Justa”, relacionada com um alegado esquema de auxílio à imigração ilegal no Baixo Alentejo, levou à suspensão de 10 militares da GNR. Já em Vila Nova de Milfontes, dois militares foram condenados por agressões a imigrantes do sudeste asiático, num caso que ganhou impacto após a divulgação de imagens filmadas.
Em entrevista à agência Lusa, Rui Veloso classificou os casos como “situações muito graves”, sublinhando que “na Guarda os direitos humanos não são opções, são direitos absolutos”.
O comandante-geral foi direto ao afirmar que “na Guarda não há racismo” e garantiu que qualquer militar que viole direitos humanos “não tem lugar” na instituição.
Sobre a operação “Safra Justa”, Rui Veloso apelou ao respeito pela presunção de inocência, mas deixou um aviso claro: caso as suspeitas sejam confirmadas, os envolvidos deverão ser “exemplarmente condenados e afastados da Guarda”.
Na sequência destes casos, a GNR admite ter reforçado mecanismos de vigilância interna, formação e acompanhamento hierárquico. O responsável afirma que existe agora “mais formação, instrução e diálogo”, numa tentativa de detetar rapidamente comportamentos desviantes.
O comandante-geral assegura ainda que a corporação não pretende “encobrir qualquer tipo de comportamento lesivo”, defendendo uma atuação rápida sempre que existam suspeitas de infrações disciplinares ou criminais.