O Alentejo continua a ser a região com maior taxa de pobreza do país, apesar da redução global da pobreza e do aumento do poder de compra registados em Portugal nos últimos anos.
Os dados constam do relatório “Portugal, Balanço Social 2025”, elaborado por investigadores da Nova SBE (Nova School of Business and Economics), que alerta para a persistência de fortes desigualdades sociais, regionais e salariais.
Segundo o estudo, a taxa nacional de risco de pobreza desceu de 17% em 2023 para 15,4% em 2025. Ainda assim, o Alentejo apresenta o valor mais elevado do país, com 17,9%. Logo a seguir surgem os Açores, com 17,3%. Já a Grande Lisboa apresenta a menor incidência de pobreza do país, com 12,2%.
O relatório mostra também que o rendimento médio disponível aumentou significativamente na última década, passando de cerca de 9 mil 800 euros em 2014 para quase 15 mil euros em 2024, traduzindo um crescimento real do poder de compra superior a 25%.
Apesar desta evolução positiva, continuam a existir grupos particularmente vulneráveis. A pobreza afeta sobretudo desempregados, famílias monoparentais e pessoas com baixos níveis de escolaridade.
Em 2024, existiam cerca de 301 mil crianças e mais de 541 mil idosos em situação de pobreza em Portugal.
O estudo conclui ainda que as desigualdades económicas permanecem acentuadas. Os 10% mais ricos concentram quase oito vezes mais rendimento do que os 10% mais pobres.
Entre as crianças em situação de pobreza, quase 30% vivem em privação material e social, muitas sem acesso regular a atividades de lazer ou em habitações sobrelotadas.