Os concelhos de Mértola e Serpa, onde se localiza o Parque Natural do Vale do Guadiana, surgem identificados em áreas de elevada perigosidade de incêndio rural, apesar de o Alentejo continuar a ser uma das regiões do país com menor exposição global ao risco.
Os dados constam do estudo “Caracterização das Áreas de Perigosidade de Incêndio Rural”, divulgado pelo Instituto Nacional de Estatística.
Segundo o relatório, mais de metade da superfície alentejana, cerca de 54,8%, está classificada com muito baixa perigosidade de incêndio rural.
O estudo conclui que, ao contrário do Norte e Centro do país, onde predominam áreas de alta e muito alta perigosidade, no Alentejo dominam territórios de baixa exposição ao risco.
Ainda assim, algumas zonas protegidas da região apresentam níveis mais elevados de perigosidade, nomeadamente o Parque Natural do Vale do Guadiana, no Baixo Alentejo, e o Parque Natural da Serra de São Mamede, no Alto Alentejo.
O relatório destaca também os indicadores demográficos das áreas consideradas mais vulneráveis.
No Baixo Alentejo, o índice de envelhecimento nas zonas de alta e muito alta perigosidade atinge os 560 idosos por cada 100 jovens, o valor mais elevado do país.
Os dados revelam igualmente que mais de 60% da população residente nestas áreas vive em habitação dispersa ou em pequenos aglomerados populacionais, fator que pode dificultar operações de evacuação e proteção em caso de incêndio.
Apesar destes indicadores, o estudo do INE sublinha que o Alentejo continua entre as regiões com menor percentagem de edifícios e alojamentos localizados em áreas de elevado risco de incêndio rural.
O documento conclui ainda que os corpos de bombeiros apresentam uma distribuição territorial próxima das zonas de maior perigosidade, enquanto os estabelecimentos hospitalares continuam mais concentrados no litoral do país.