O Alentejo volta a surgir entre as regiões mais desfavorecidas do país no acesso a equipamentos culturais integrados nas redes nacionais. O alerta é lançado por um estudo do Observatório Português das Atividades Culturais, que revela que 30 municípios portugueses continuam sem qualquer equipamento cultural credenciado, estando todos localizados em territórios de baixa densidade.
O relatório mostra que, apesar de uma ligeira melhoria face a 2022, persistem desigualdades significativas no acesso à cultura, sendo o Alentejo uma das regiões onde a escassez de equipamentos é mais evidente, sobretudo ao nível da Rede Nacional de Bibliotecas Públicas.
Segundo o estudo, as bibliotecas continuam a ser a rede cultural mais implantada em Portugal, abrangendo 262 municípios. No entanto, a sua presença é mais reduzida em várias zonas do interior, com destaque para o Alentejo Central, onde continua a verificar-se uma menor cobertura.
Também nas restantes redes culturais, como museus, teatros, cineteatros, arquivos e espaços de arte contemporânea, a distribuição dos equipamentos favorece sobretudo as regiões Norte e da Grande Lisboa, que concentram a maioria das infraestruturas credenciadas.
No caso da Rede Portuguesa de Arquivos, Évora destaca-se como um dos poucos concelhos alentejanos com maior representatividade, contando atualmente com três equipamentos integrados nesta rede nacional.
O Observatório considera que estes dados reforçam a necessidade de políticas públicas que promovam uma maior coesão territorial, garantindo igualdade no acesso à cultura e combatendo as assimetrias que continuam a penalizar o interior do país, onde o Alentejo permanece entre as regiões mais afetadas.