A crise da Santa Casa da Misericórdia de Serpa está a provocar uma nova batalha política, desta vez com o deputado do PSD eleito por Beja, Gonçalo Valente, a responder duramente às críticas e iniciativas do PCP em torno do futuro da instituição e do Hospital de São Paulo.
Na sequência da pergunta apresentada pelos comunistas à ministra da Saúde, exigindo ao Governo respostas sobre o futuro da Misericórdia e do hospital, o deputado social-democrata acusa o PCP de colocar a ideologia acima da procura de soluções.
“O Partido Comunista continua a sua cruzada ideológica, colocando os princípios identitários do partido à frente da racionalidade e do pragmatismo com que se devem tratar estes assuntos”, afirma Gonçalo Valente.
O parlamentar reconhece que a Santa Casa atravessa “um momento difícil”, mas devolve responsabilidades ao PCP e à anterior gestão municipal comunista. Segundo o deputado, quando o partido liderava a Câmara de Serpa, “nada fez para ajudar” a instituição e terá funcionado como “força de bloqueio ao bom funcionamento” da Misericórdia.
Gonçalo Valente recupera ainda uma questão relacionada com a falta de médicos e critica o facto de Serpa ter sido, na sua opinião, “o único município do país sem um regulamento municipal para atrair médicos”.
A polémica sobe de tom quando o deputado aborda a proposta de gestão partilhada com um grupo privado de saúde, recentemente rejeitada pelos irmãos da Misericórdia.
Para Gonçalo Valente, apesar de não conhecer todos os contornos da proposta, tratava-se de uma solução que deveria ser considerada. E aponta diretamente ao PCP: “Como é evidente, o PCP esteve contra. Só a palavra privado até arrepia”.
O deputado defende que a prioridade deve estar na qualidade da resposta prestada aos utentes e não na natureza pública ou privada de quem assegura a gestão.
“Aquilo que as pessoas querem na verdade é uma resposta digna e eficiente e não quem a presta”, sustenta, acrescentando que, para o PCP, “o importante é quem a presta”.
Gonçalo Valente deixa ainda um desafio aos comunistas: se rejeitam a solução apresentada pela Santa Casa, que apresentem uma alternativa.
“Qual a solução que o PCP apresenta como modelo de gestão da Santa Casa?”, questiona o deputado, lembrando que a instituição enfrenta uma situação financeira preocupante e tem procurado encontrar formas de garantir a sua sustentabilidade.
Na opinião do parlamentar, a rejeição da proposta não resolve o problema. “Era de valor que o PCP apresentasse uma alternativa, já agora”, afirma, acusando o partido de procurar “criar confusão” em vez de apresentar soluções.
Também o futuro do Hospital de São Paulo é colocado no centro desta disputa política. Gonçalo Valente considera que é o protocolo existente com o Serviço Nacional de Saúde que ainda permite manter a unidade em funcionamento.
“Aquilo que ainda o mantém aberto é o protocolo com o SNS, caso contrário há muito que estaria fechado”, afirma.
Quanto à possibilidade de integração direta do hospital no Serviço Nacional de Saúde, o deputado social-democrata considera essa hipótese “utópica”, argumentando que Serpa não cumpre os rácios populacionais que, na sua leitura, seriam necessários para garantir esse modelo.
Gonçalo Valente acusa ainda o PCP de utilizar o tema como instrumento de confronto político e de “prova de vida” partidária.
“Por um lado pretende fazer prova de vida e por outro gerar controvérsia neste assunto”, afirma, considerando que o PCP vive da “manifestação, da luta na rua e da oposição ao bom funcionamento das instituições”.
As declarações surgem depois de o PCP ter levado a crise da Santa Casa da Misericórdia de Serpa à Assembleia da República, exigindo explicações à ministra da Saúde sobre as responsabilidades do Governo e as medidas previstas para garantir o futuro do Hospital de São Paulo, dos trabalhadores, dos utentes e das restantes respostas sociais.