INEM muda no Alentejo e enfermeiros garantem que não há ambulâncias a desaparecer

O Alentejo está no centro da reorganização do INEM, uma mudança que tem provocado críticas e dúvidas, mas que recebe agora o apoio da Ordem dos Enfermeiros. A estrutura garante que o novo modelo não significa retirar meios de emergência e defende que a alteração poderá permitir chegar mais depressa com equipas diferenciadas aos casos realmente graves.

A partir de 1 de setembro, os enfermeiros passam a participar na triagem das chamadas recebidas pelos Centros de Orientação de Doentes Urgentes, utilizando o Sistema de Triagem de Manchester. Para a Ordem dos Enfermeiros, esta alteração reforça a capacidade de avaliar rapidamente a gravidade de cada situação e decidir que resposta deve ser enviada.

O bastonário, Luís Filipe Barreira, considera que esta é uma “excelente estratégia de política de saúde” e afirma que o novo modelo “mais protege as pessoas”.

A ideia defendida pela Ordem é que não basta enviar mais ambulâncias. É necessário mobilizar o meio adequado para cada ocorrência e garantir que as equipas com competências diferenciadas chegam rapidamente aos doentes em risco de vida.

Segundo os dados apresentados pela Ordem, as ocorrências de prioridade máxima representam cerca de 10% das chamadas recebidas pelo INEM. Nos primeiros seis meses deste ano, em 90% das situações em que foi acionada uma equipa de Suporte Imediato de Vida, também foi mobilizada uma ambulância.

Na prática, diz a Ordem, isto significa que frequentemente eram deslocadas duas viaturas com capacidade de transporte para uma única vítima, reduzindo a disponibilidade das equipas para outras emergências.

É precisamente aqui que a Ordem vê uma das principais vantagens da reorganização: colocar mais equipas diferenciadas em viaturas ligeiras, permitindo-lhes deslocarem-se rapidamente ao local e ficando depois disponíveis mais cedo para uma nova ocorrência.

Luís Filipe Barreira rejeita, por isso, a ideia de que a segurança dependa de colocar o maior número possível de veículos na estrada. “A segurança não depende de enviar o maior número possível de veículos”, afirma o bastonário, defendendo que deve chegar “a equipa certa, com as competências certas, no menor tempo possível”.

Uma das maiores polémicas está, contudo, relacionada com as ambulâncias de emergência médica. A Ordem dos Enfermeiros garante que é “incorreto afirmar” que o novo modelo retira uma centena de ambulâncias ao sistema.

Segundo a organização, parte desses meios continuará integrada no dispositivo, mas passará a funcionar a partir de bases hospitalares. No caso das equipas SIV, a mudança passa sobretudo pelo tipo de viatura, com o objetivo de aumentar a mobilidade e a disponibilidade dos profissionais.

A nova organização prevê ainda uma alteração profunda na estrutura territorial do INEM. As atuais delegações regionais deixam de existir enquanto tal e dão lugar a quatro Centros de Orientação de Doentes Urgentes: Norte, no Porto; Centro, em Coimbra; Sul, em Lisboa; e Algarve, em Loulé.

O atual modelo regional que abrangia Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo é, assim, substituído por uma organização diferente, integrada no Departamento de Orientação de Doentes Urgentes.

Perante as críticas que têm surgido, a Ordem dos Enfermeiros pede que a reforma seja avaliada pelos resultados e não apenas pelo número de ambulâncias ou pela alteração das estruturas existentes.

Para o bastonário, a prioridade deve ser garantir que os meios mais diferenciados chegam primeiro a quem corre maior risco.

A mudança começa a produzir efeitos já no próximo mês e promete continuar a gerar debate, sobretudo numa região como o Alentejo, onde as distâncias entre populações, hospitais e meios de emergência podem assumir particular importância.

PUB

PUB

PUB

Facebook
WhatsApp
Twitter
LinkedIn

Farmácia de serviço hoje na cidade de Beja

Publicidade

Mais Lidas

1
Ourique
Incêndio fatal em Ourique: homem perde a vida aos 62 Anos
2
Ressonância
Hospital de Beja: A espera terminou, Ressonância Magnética chegou
3
Bombeiros
Polémica nos Bombeiros de Beja: Lista rejeitada responde a comunicado da direção 
Semana com ameaças, agressões e roubos em Beja
Devemos acarinhar os eleitores do Chega? Não! Não podemos
6
25 de Abril
50 anos de Abril: Catarina Eufémia, um símbolo da luta antifascista
7
Odemira
Alunas de Odemira brilham em competição de ciência em Itália
Agricultores que cortaram estrada em Serpa identificados pelas autoridades

Recomendado para si

Castro Verde
20/08/2026
Castro Verde: freguesias exigem médicos e temem futuro das urgências
20/08/2026
Beja simplifica marcações no hospital e acaba com a “via-sacra” entre serviços
20/08/2026
Beja entra na luta pelo título de melhor praia fluvial do Alentejo
20/08/2026
Beja recebe sessão decisiva para criar a futura Orquestra Regional do Alentejo
20/08/2026
Homem acusado de anos de violência contra ex-companheira: O MP pediu prisão preventiva, mas o tribunal não concordou
Alentejo
20/08/2026
Alentejo 2030 fica para trás na corrida aos fundos europeus
Castro Verde
19/08/2026
Casével ganha novo posto médico após investimento de 259 mil euros
19/08/2026
Beja: Cinco meses depois dos tiros suspeito entrega-se e acaba em prisão preventiva