A agricultura da margem esquerda do Guadiana enfrenta uma combinação de dificuldades que, segundo a APROSERPA, está a colocar em causa a sobrevivência de várias explorações. A associação de agricultores de Serpa exigiu ao Ministério da Agricultura e Mar uma reunião presencial urgente e dá ao Governo prazo até meados da próxima semana para responder.
No centro das preocupações estão o aumento do preço do gasóleo agrícola e uma campanha particularmente negativa para os cereais de sequeiro, com fortes quebras de produção.
A APROSERPA alerta que o combustível representa uma parcela significativa dos custos das explorações, sobretudo em períodos de maior intensidade de trabalho agrícola. A associação refere que já foram comunicados preços de 1,68 euros por litro na região de Beja, havendo preços de tabela que chegam aos 1,73 euros.
Para demonstrar o impacto, a associação calcula que dois tratores possam consumir cerca de 325 litros de gasóleo durante oito horas de trabalho exigente, representando um custo superior a 500 euros, segundo os valores utilizados no seu estudo.
A preocupação não se limita aos agricultores. A APROSERPA considera que a subida dos custos energéticos pode afetar toda a cadeia alimentar, desde a produção e transporte até à transformação e distribuição.
A associação apresentou ao Governo várias propostas, entre elas um mecanismo automático para estabilizar o preço do gasóleo agrícola e apoios extraordinários quando os custos energéticos atingirem níveis excecionais.
Caso não seja marcada a reunião solicitada dentro do prazo definido, a APROSERPA admite avançar para outras formas de luta, embora sublinhe que continua a privilegiar uma solução através do diálogo com o Governo.