Beja e Évora estão entre os sete municípios escolhidos para receber os primeiros apoios destinados ao restauro da natureza nas cidades, mas a associação ambientalista ZERO deixa sérias reservas sobre a forma como os quase oito milhões de euros poderão ser utilizados.
As verbas antecipam o programa Pro nat.urbe e destinam-se a projetos-piloto em Beja, Évora, Celorico da Beira, Guimarães, Leiria, São João da Madeira e Vila Real. O objetivo é aumentar e recuperar espaços verdes urbanos, melhorar a adaptação às alterações climáticas e contribuir para a qualidade de vida das populações.
A ZERO, que já tinha saudado a criação do programa, considera agora que existem falhas que podem transformar o investimento num exercício de “cosmética verde”.
Uma das principais críticas está na escolha da vegetação. Os ambientalistas defendem que a utilização de espécies autóctones deve ser obrigatória nos projetos financiados, em vez de surgir apenas como preferência. Rejeitam também a utilização de dinheiro público em relvados de uma única espécie, defendendo soluções com maior biodiversidade.
Há igualmente críticas aos critérios financeiros. A ZERO reclama a definição de limites máximos para os custos por metro quadrado, de forma a evitar investimentos elevados com reduzido benefício ambiental.
A associação alerta ainda para o risco de os números mostrarem um aumento das áreas verdes sem que isso corresponda a uma verdadeira transformação das cidades, uma vez que alguns terrenos agrícolas podem já estar contabilizados como espaço urbano.
Outra das exigências passa pela proibição de herbicidas nas zonas intervencionadas, que, para a ZERO, deve ser condição para receber e manter os apoios.
Beja e Évora têm, assim, oportunidade de integrar a primeira linha do novo programa de restauro urbano. Mas os ambientalistas avisam: milhões para tornar as cidades mais verdes só farão diferença se o verde existir realmente no terreno e não apenas nas estatísticas.