O caso arrasta-se há seis anos e continua sem desfecho: o Tribunal de Beja voltou a adiar, sem data marcada, o julgamento de um agente da PSP acusado de agredir brutalmente um trabalhador agrícola ucraniano, em 2019.
A sessão estava agendada para ontem, à tarde, mas a juíza chamou à sala o arguido, o advogado de defesa e as testemunhas apenas para anunciar o cancelamento. O motivo? A tradução de uma carta rogatória, essencial para tentar notificar testemunhas estrangeiras que já não residem em Portugal, continua por concluir, depois de a intérprete ter alegado dificuldades no processo.
“Não posso avançar sem ter a certeza se as testemunhas foram ou não notificadas”, justificou a magistrada, determinando agora a tradução do documento antes de qualquer nova tentativa de contacto.
Este é já o terceiro adiamento deste novo julgamento, depois de duas outras sessões, marcadas para janeiro e maio deste ano, terem caído por dificuldades semelhantes na inquirição de testemunhas, muitas delas na Ucrânia, país em guerra, o que tem complicado significativamente o processo.
Recorde-se que este julgamento resulta de uma decisão do Tribunal da Relação de Évora, que em 2024 anulou uma anterior absolvição do agente, determinando que o processo recomeçasse pela inquirição das testemunhas de acusação.
O caso remonta a novembro de 2019, quando o agente da PSP terá abordado um grupo de 11 imigrantes, a maioria ucranianos, que aguardava transporte para o trabalho em Beja. Segundo a acusação, o polícia insultou os trabalhadores e agrediu um deles com pontapés, murros e um objeto semelhante a um bastão, obrigando a vítima a recorrer ao hospital.