A última reunião de Câmara de Beja ficou marcada por fortes trocas de argumentos entre Paulo Arsénio, do PS, e a coligação Beja Acontece, liderada por Palma Ferro, a propósito de um mural pintado no centro da cidade em homenagem às mulheres alentejanas, com a figura de Catarina Eufémia em destaque.
O vereador socialista não escondeu o desagrado com a escolha feita pelo executivo municipal, no âmbito da iniciativa Beja na Rua, criticando o momento e o simbolismo da obra. Para Arsénio, embora o PS não pretenda apagar a memória de Catarina Eufémia nem a luta das camponesas de Baleizão em 1954, Portugal vive hoje uma realidade bem diferente, “já não há Tenentes Carrajolas a disparar impunemente sobre manifestantes”. O vereador considerou ainda que o mural representa uma “opção ideológica demasiado forte e desatual”, deixando um recado ao executivo: que, no futuro, a fachada da Biblioteca ou da própria Câmara não venham a ter “Karl Marx ou Lenin devidamente desenhados”.
O presidente Nuno Palma Ferro respondeu às críticas, defendendo que o mural pode ser interpretado de forma diferente por cada pessoa, e que essa é precisamente a essência da liberdade e da democracia. “Não há tabus, não há coisas proibidas”, afirmou, garantindo que se vai bater sempre para que cada um se possa expressar da forma que entender, independentemente de ser ou não do seu agrado pessoal.