Quatro meses depois das tempestades que provocaram prejuízos superiores a 5,3 mil milhões de euros em Portugal, Alcácer do Sal continua entre os territórios mais afetados pelas consequências do mau tempo, com autarquias, empresários e famílias a denunciarem atrasos na chegada dos apoios prometidos pelo Governo.
As fortes chuvas e inundações que atingiram o concelho deixaram estradas danificadas, habitações afetadas e prejuízos significativos em explorações agrícolas e infraestruturas locais. A situação repete-se em vários pontos do país, sobretudo na região Centro, onde o Presidente da República realizou recentemente uma Presidência Aberta dedicada à recuperação das zonas afetadas.
No relatório agora divulgado, António José Seguro alerta para a necessidade de “acelerar apoios, clarificar medidas e reforçar infraestruturas críticas”, sublinhando que muitas famílias e empresas continuam sem respostas concretas meses depois da tragédia.
O Governo anunciou um pacote de 3,5 mil milhões de euros em ajudas diretas, linhas de crédito e moratórias, além do novo programa PTRR – Portugal Transformação, Recuperação e Resiliência, com um investimento global de 22,6 mil milhões de euros até 2035.
Apesar disso, multiplicam-se as críticas à lentidão dos processos. Municípios, agricultores e empresários apontam burocracia excessiva e atrasos na avaliação dos prejuízos, sobretudo no apoio à reconstrução de habitações.
No caso das empresas, mais de 7.700 já receberam apoio através das linhas de crédito do Banco Português de Fomento, mas muitas autarquias consideram que o dinheiro continua a chegar demasiado tarde ao terreno.
O relatório presidencial alerta ainda para vulnerabilidades graves nas telecomunicações, abastecimento de energia e proteção civil, defendendo maior preparação do país para fenómenos climáticos extremos.