No Alentejo, a proporção de doentes com várias doenças crónicas é mais baixa do que noutras regiões do país, mas os números continuam a refletir uma realidade preocupante a nível nacional.
Mais de 80% dos utentes dos cuidados de saúde primários com 45 anos ou mais têm pelo menos uma doença crónica, e mais de metade sofre de várias patologias em simultâneo. Os dados são revelados pelo estudo internacional PaRIS.
Ainda assim, no Alentejo, a percentagem de pessoas com multimorbilidade, ou seja, com duas ou mais doenças crónicas, é de 58%, abaixo de regiões como Lisboa e Vale do Tejo, onde atinge os 64%.
Entre os doentes crónicos, 62% afirmam ter duas ou mais doenças e quase um terço vive com três ou mais patologias.
A hipertensão arterial surge como a doença mais comum, afetando 42% dos inquiridos, seguida de problemas como artroses ou dores persistentes nas costas e articulações, com 32%. Os problemas de saúde mental, como depressão e ansiedade, ocupam o terceiro lugar, com 22%.
O estudo indica ainda que mais de 10% dos utentes referem doenças como diabetes, problemas cardiovasculares ou respiratórios, incluindo asma e Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica.
Coordenado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico e, em Portugal, pela Direção-Geral da Saúde, o inquérito PaRIS envolveu 19 países e é considerado o maior estudo internacional aplicado a utilizadores de serviços de saúde.
Os resultados agora conhecidos reforçam a necessidade de reforçar a resposta dos cuidados de saúde primários, numa altura em que as doenças crónicas continuam a marcar de forma significativa a população adulta.