São abandonados, negligenciados e maltratados por quem tinha a obrigação de cuidar deles. Apesar das campanhas de sensibilização, das denúncias e da fiscalização, os números da GNR mostram que os maus-tratos e o abandono de animais continuam a fazer parte da realidade de Beja, Évora e Portalegre.
E os números dificilmente deixam alguém indiferente.
Desde 2024, os três distritos somam mais de 200 ocorrências de abandono, mortes e maus-tratos. São casos que obrigam as autoridades a intervir e que mostram que ainda há animais tratados como objetos descartáveis.
Em Beja, a situação chegou mesmo a agravar-se entre 2024 e 2025. Os abandonos passaram de 12 para 19 e as ocorrências relacionadas com mortes e maus-tratos aumentaram de 21 para 31. Este ano, os dados disponíveis contabilizam já mais 11 abandonos e 12 ocorrências relacionadas com mortes e maus-tratos.
Évora e Portalegre apresentam evoluções diferentes, mas o problema permanece. Continuam a chegar às autoridades casos de animais abandonados ou sujeitos a situações que podem colocar em causa a sua vida e bem-estar.
E esta realidade ultrapassa largamente o Alentejo. Entre janeiro de 2024 e agosto de 2026, a GNR realizou mais de 19 mil fiscalizações em todo o país. Foram detetadas 982 ocorrências de abandono e 1.668 relacionadas com mortes e maus-tratos.
Por detrás das estatísticas estão animais que, muitas vezes, precisam de ser retirados das situações em que foram encontrados. Mais de 7.500 foram resgatados ou recuperados pela GNR durante este período.
Só nos primeiros seis meses deste ano foram realizados 2.888 resgates, com mais de dois mil animais encaminhados para Centros de Recolha Oficial ou entidades parceiras.
As denúncias continuam, por isso, a ser fundamentais. Perante uma suspeita, o SEPNA pode deslocar-se ao local, avaliar as condições em que o animal se encontra e, quando necessário, desencadear medidas urgentes de proteção. Os factos apurados podem depois resultar em contraordenações ou processos-crime.
Ter um animal não é apenas tê-lo quando é pequeno, saudável ou conveniente. É assumir uma responsabilidade durante toda a sua vida.