A Câmara Municipal de Serpa foi alvo de um ataque informático na madrugada de quarta-feira, numa ocorrência que bloqueou durante todo o dia o funcionamento de vários serviços municipais e obrigou a autarquia a iniciar a reconstrução quase integral da sua infraestrutura tecnológica.
O ataque decorreu entre as quatro da manhã e as oito e meia, tendo sido detetado quando os trabalhadores começaram a chegar ao edifício dos Paços do Concelho. A reação foi imediata: os servidores foram desligados e o caso comunicado ao Ministério Público e à Comissão Nacional de Proteção de Dados.
“Nós, na madrugada da última quarta-feira, sofremos um ataque informático. Os serviços da Câmara de Serpa foram pirateados”, confirmou à Rádio Pax o presidente da autarquia, Francisco Picareta.
Ontem, quinta-feira, a Polícia Judiciária deslocou-se a Serpa para investigar a ocorrência e tentar identificar os responsáveis – uma tarefa que, neste tipo de crimes, se afigura habitualmente complexa, dada a sofisticação das técnicas utilizadas e a dificuldade em rastrear os autores para além das fronteiras digitais.
Apesar da gravidade da situação, Francisco Picareta sublinhou que a maioria da informação municipal estava salvaguardada por cópias de segurança diárias. Na prática, a perda de dados ficou circunscrita ao período entre as 18 horas do dia 26 e as oito da manhã do dia 27. Ainda assim, o impacto operacional foi significativo: todos os computadores estão a ser formatados e os programas e sistemas internos reinstalados do zero.
“Estamos a instalar todos os novos programas para termos a garantia de que eliminamos o risco”, explicou o autarca, estimando que a normalidade poderá regressar até quarta-feira da próxima semana ou, “no cenário mais pessimista, até sexta-feira”.
Enquanto a recuperação prossegue, o atendimento ao público está a ser assegurado de forma limitada, com recurso a meios alternativos. A situação é de contenção, mas o município mantém a atividade.
Mais preocupante do que a interrupção dos serviços é, porém, a possibilidade de exfiltração de dados. O presidente da Câmara admitiu que alguns documentos municipais terão sido encriptados pelos atacantes — um sinal característico de ataques de ransomware, modalidade em que os criminosos bloqueiam o acesso aos ficheiros e frequentemente ameaçam divulgá-los ou exigem um resgate para os restituir.
“Existe a possibilidade de alguns documentos terem sido pirateados e podem andar por aí”, alertou Francisco Picareta.
O caso surge numa altura em que aumentam os alertas para ataques informáticos dirigidos a entidades públicas e serviços essenciais em Portugal.