Avaria de automotora atrasa consultas de crianças no Hospital de Beja

Em Beja, há muitos anos que se repetem as queixas de quem utiliza o comboio como meio de transporte entre Beja/Casa Branca/Beja. Segundo os utentes, as reclamações são diárias devido aos constantes atrasos na partida e chegada a Beja e ao estado das composições que há muito estão “obsoletas”.
Isabel Freitas, pediatra, vem de Lisboa todas as semanas para dar consultas no Hospital de Beja. “Esta quarta-feira, o comboio saiu de Lisboa com um atraso de 40 minutos. Entretanto, em Casa Branca, fomos informados que a automotora teve uma avaria e que tínhamos que ir de autocarro”, relatou a médica que esteve cerca de uma hora e meia à espera do transporte. Resultado, mais de 20 crianças viram as suas consultas atrasarem cerca de 3 horas. “Este é um cenário que, infelizmente, se repete constantemente”, afirma a médica.

Fernando Palma

Fernando Palma, pai de uma menina de 4 anos, tinha consulta com a pediatra Isabel Freitas marcada para as 13 horas. Só foi atendido às 16 horas. “Imagine o que é estar três horas à espera de consulta com uma criança de 4 anos”, questiona o progenitor com a menina, impaciente, à sua volta.
Também o Dr. Eduardo Moos vive o “problema dos Comboios” para Beja.

Dr Eduardo Moos

“É inadmissível esta situação. Tenho que pedir desculpa, frequentemente, aos meus doentes, pelo tempo de espera das consultas. E muitos deles vêm de longe”, explica o psicólogo que também vem de Lisboa dar consultas ao Hospital de Beja. Este médico afirma que “são praticamente diárias e muito longas as esperas em Casa Branca. As automotoras estão sempre com problemas mecânicos e levamos horas à espera de autocarro. Eu acho que querem transformar Beja num sítio inatingível”, desabafa.

Os utentes que fazem diariamente este percurso ferroviário não têm duvidas em afirmar que estão a ser “insuportáveis” os transtornos que sofrem constantemente.
“No Sábado, parti de Beja às 16:11 horas numa automotora a cair aos pedaços. Cheguei a Casa Branca e estive perto uma hora à espera do comboio de Évora, que chegou cheio. Até lisboa, eu e muitas outras pessoas, algumas idosas e com problemas de saúde, tivemos que ir de pé”, relatou, manifestando alguma revolta, Afonso Henriques, utilizador frequente deste transporte.
Esta semana a CP substituiu algumas ligações ferroviárias entre Beja e Casa Branca por autocarros, uma decisão que veio aumentar, ainda mais, o desagrado dos utentes.
Segundo Florival Baioa, a população do Baixo-Alentejo está “revoltada com o desdém de que tem sido vítima ao longo dos anos”. O presidente da Associação de Defesa do Património de Beja e representante do Movimento “Beja Merece+” revela que este movimento de cidadãos está a organizar uma acção em Lisboa no dia 10 de Maio, quinta-feira de Ascensão, feriado municipal em Beja. “Queremos alertar para o esquecimento a que estamos sujeitos, da parte do poder central, e para a contínua desertificação demográfica que nos atinge”. Florival Baioa acredita que os Baixo Alentejanos vão aderir em massa a esta acção.