O Baixo Alentejo teme enfrentar uma grave crise nos cuidados de saúde primários. A Comunidade Intermunicipal do Baixo Alentejo (CIMBAL) alerta que 16 médicos estrangeiros poderão deixar de prestar serviço nos centros de saúde da região até ao final do ano, devido às novas regras de contratação de médicos tarefeiros. A situação poderá afetar cerca de 30 mil utentes nos 13 concelhos abrangidos pela Unidade Local de Saúde do Baixo Alentejo.
O presidente da CIMBAL, António José Brito, considera que, sem uma alteração ao diploma, poderão surgir “complicações muito graves”, colocando mesmo em risco o funcionamento de centros de saúde e dos Serviços de Urgência Básica. O autarca defende que o Governo deve criar um regime de exceção para regiões do interior, onde a falta de médicos é mais acentuada.
Também o Partido Socialista já alertou a ministra da Saúde para o impacto da nova legislação, considerando que o diploma não resolve a escassez de profissionais nem cria condições para fixar médicos no Serviço Nacional de Saúde.
Entretanto, as juntas de freguesia de Ervidel e de São João de Negrilhos, no concelho de Aljustrel, lançaram abaixo-assinados para exigir a permanência dos atuais médicos de família, enquanto a CDU promove uma tribuna pública sobre o direito à saúde. A nova administração da Unidade Local de Saúde do Baixo Alentejo, contactada pela agência Lusa, optou por não comentar o assunto nesta fase.