Cinco meses depois de uma violenta madrugada de março que lançou a tensão entre duas famílias ciganas, em Beja, um homem de 48 anos entregou-se voluntariamente às autoridades e acabou detido pela Polícia Judiciária. É apontado como presumível coautor de duas tentativas de homicídio ocorridas na cidade.
Os acontecimentos remontam a 26 de março, quando uma desavença entre dois grupos familiares terminou em confronto na rua António Sardinha. Segundo a investigação, os conflitos estariam relacionados com questões de alegadas dívidas entre os intervenientes.
Na altura, dois homens, de 19 e 37 anos, pai e filho, terão sido surpreendidos no exterior da residência por dois suspeitos. Foram efetuados disparos com uma espingarda caçadeira e ambos acabaram atingidos por projéteis.
O jovem, de 19 anos, sofreu ferimentos na cabeça, nomeadamente numa vista, tendo necessitado de assistência hospitalar. Os disparos provocaram ainda danos numa viatura e colocaram em risco outras pessoas que circulavam na via pública.
O caso passou para a investigação da Polícia Judiciária devido à utilização de arma de fogo. Um primeiro suspeito, de 26 anos, foi detido no dia 1 de abril e, após ser presente a tribunal, ficou em prisão preventiva, estando fortemente indiciado pela coautoria dos dois crimes de homicídio na forma tentada.
O segundo suspeito permaneceu, entretanto, em fuga e com paradeiro desconhecido.
Agora, segundo a PJ, apresentou-se voluntariamente às autoridades em Beja, permitindo o cumprimento de um mandado de detenção emitido pela autoridade judiciária competente.
O homem de 48 anos deverá ser ainda hoje presente a primeiro interrogatório judicial no Tribunal de Beja, onde serão determinadas as medidas de coação.
A investigação aponta para um confronto entre dois grupos familiares, num contexto de crescente tensão que, naquele dia, teve outros episódios associados.
Horas depois dos disparos, uma habitação na Praceta da Calçada foi destruída por um incêndio. A família que ali residia tinha abandonado a casa durante o dia, alegadamente por receio de represálias na sequência do conflito. Segundo informação então recolhida pela Rádio Pax, terá existido também uma tentativa de fogo posto antes do incêndio.
As autoridades investigaram uma possível relação entre os acontecimentos, num cenário de tensão que preocupou a população de Beja.
O inquérito é dirigido pelo Ministério Público de Beja e a investigação da Polícia Judiciária prossegue para esclarecer todas as circunstâncias dos dois crimes.