Beja continua a enfrentar fortes dificuldades no acesso a médico de família, num cenário que reflete um problema mais amplo nos cuidados de saúde primários do Alentejo.
Segundo a Administração Central do Sistema de Saúde, a região apresenta uma taxa de cobertura de apenas 83%, abaixo dos 87% da média nacional. No Alentejo, cerca de 89 mil utentes não têm médico de família atribuído.
No caso do Baixo Alentejo, a situação é ainda mais preocupante. Na área da Unidade Local de Saúde do Baixo Alentejo existem cerca de 19 mil utentes sem médico de família, com Beja, Moura e Serpa a concentrarem a maioria das carências.
Só no concelho de Beja, as estimativas apontam para cerca de 8 mil pessoas sem esta resposta de proximidade, embora os números possam variar consoante a área de contabilização considerada.
A nível nacional, a cobertura chega aos 98% no Norte e aos 95% no Centro, enquanto Lisboa e Vale do Tejo apresenta 74% e o Algarve 80%.
A Administração Central do Sistema de Saúde considera que a reorganização do Registo Nacional de Utentes permitirá conhecer melhor as necessidades de cada território e planear a contratação e distribuição dos médicos.
No Alentejo, a dificuldade em fixar profissionais, o envelhecimento da população e a dispersão territorial continuam, contudo, a colocar enormes desafios ao acesso aos cuidados de saúde.