“As posições da Quercus carecem de rigor técnico e ignoram a realidade socioeconómica do Alentejo e o papel estruturante do projeto Alqueva”, afirma a Associação de Beneficiários e Proprietários do Alqueva (APBA), que veio a público reagir às recentes declarações da associação ambientalista. Em comunicado, a APBA considera que a narrativa apresentada assenta em desinformação e desvaloriza um dos projetos mais determinantes para o desenvolvimento da região.
A associação lembra que a legislação nacional é inequívoca quanto à prioridade absoluta do consumo humano, garantindo que o regadio não coloca em causa o abastecimento público de água. O reforço recente de 10 milhões de metros cúbicos para uso humano é apontado como prova de uma gestão responsável e adequada às necessidades das populações, sublinhando que o Alqueva funciona como uma reserva estratégica essencial em períodos de maior pressão hídrica.
No comunicado, os Beneficiários e Proprietários do Alqueva rejeitam também a ideia de que o regadio moderno seja prejudicial ao ambiente, defendendo a agricultura de precisão como uma aliada no combate à desertificação e ao despovoamento do interior. Segundo a associação, a utilização eficiente da água e a inovação tecnológica têm contribuído para a criação de emprego, para a fixação de famílias e para a dinamização económica do Alentejo.
A APBA destaca ainda o contributo do empreendimento de Alqueva para a soberania alimentar do país, através da diversificação das produções agrícolas e da redução da dependência externa. Do ponto de vista ambiental, garante que a gestão do sistema assenta em estudos científicos da EDIA e da Agência Portuguesa do Ambiente, promovendo a proteção dos solos, a biodiversidade e a adaptação às alterações climáticas.
A associação lamenta a tentativa de criar clivagens entre produtores e ambientalistas e reafirma que o Alqueva é um projeto de interesse público, símbolo de um modelo de desenvolvimento que procura conciliar crescimento económico, coesão social e preservação ambiental.