Comerciantes do Mercado Municipal de Beja sentem-se “humilhados” pela Câmara

Os comerciantes do Mercado Municipal de Beja estão descontentes com a Câmara devido “à forma como está a ser conduzida a situação” das obras de requalificação daquele edifício.

Os lojistas consideram que podiam “ter feito a requalificação do mercado em fases”.

António Lampreia, talhante no Mercado Municipal há cerca de 55 anos, sente-se “humilhado pela autarquia” e diz mesmo não “merecer [passar] por aquilo que está a acontecer”.

Para Edmundo Cova, também talhante no mercado, “esta situação trás muito prejuízo não só aos comerciantes, mas também ao Governo”.

Em seu entender “não era necessária uma intervenção a nível estrutural, mas sim uma actualização, como a nível da climatização ou da vídeo vigilância/segurança”.

Os lojistas dizem, ainda, que a Câmara “contratou advogadas para negociar, esquecendo-se que nem todos pagam a mesma renda nem têm o mesmo contrato”.

João Manuel, talhante de profissão, diz “que a alternativa não seria muito difícil de encontrar se houvesse boa vontade da parte política” e diz que “neste processo os comerciantes nunca foram ouvidos”.

Até que estejam concluídas as intervenções, os comerciantes horto-frutícolas, pescado e artesanato vão estar no Largo de Santo Amaro.

Paulo Arsénio, Presidente da Câmara de Beja, afirma que “existem boas soluções para os lojistas e que dentro das soluções possíveis, esta foi a melhor”.

Recorde-se que a obra adjudicada, tem um valor superior a 2 milhões de euros e uma duração máxima prevista de 450 dias.

A empreitada é financiada em 1,3 milhões de euros, pelo Alentejo 2020.

A Câmara fez ainda um empréstimo de 573 mil euros, junto do Banco Europeu de Investimento. Esse valor será, segundo a autarquia, pago em 15 anos.

O tradicional Mercado de Santo Amaro, que se realiza aos sábados, das 6:00h às 13:00h, será, temporariamente, transferido para a Rua Conselheiro Menezes.