Tribunal suspende obras da Linha de Muito Alta Tensão, mas trabalhos continuam no terreno

Tribunal suspende obras da Linha de Muito Alta Tensão, mas trabalhos continuam no terreno

Foi admitida pelo Tribunal Administrativo e Fiscal de Beja uma providência cautelar que visa suspender os trabalhos de instalação da Linha de Muito Alta Tensão entre Ferreira do Alentejo e Sines. No entanto, a associação ProtegeAlentejo denuncia que, apesar da decisão judicial, as obras continuam no terreno.

Num comunicado divulgado esta semana, a associação indica que o despacho do tribunal foi emitido no passado dia 17 e determina que as entidades responsáveis sejam notificadas, com base no artigo 128.º do Código de Processo nos Tribunais Administrativos. Esse artigo impede a continuação de obras suspensas, exceto se houver uma resolução fundamentada — o que, segundo a associação, ainda não aconteceu.

Apesar disso, e citamos, “as obras continuam a ser executadas”, com a associação a garantir que dispõe de imagens e vídeos recentes que comprovam a continuação dos trabalhos. A ProtegeAlentejo exige a paralisação imediata da obra e pede a intervenção urgente da inspeção-geral competente para fiscalizar e, se for o caso, sancionar os responsáveis.

Entre as exigências estão ainda a reposição das condições ambientais e legais alegadamente violadas, bem como o apuramento de eventuais responsabilidades civis e criminais.

A linha elétrica em questão atravessa zonas consideradas sensíveis, incluindo áreas agrícolas, florestas autóctones e montados com sobreiros e eucaliptos. Segundo a associação, esses ecossistemas estão a ser afetados pela movimentação de terras e pelo uso de maquinaria pesada.

A ProtegeAlentejo já apresentou denúncia formal ao tribunal pela alegada desobediência à decisão judicial e sublinha que, sem o cumprimento das ordens dos tribunais, não há justiça administrativa eficaz.

Recorde-se que esta associação é composta por residentes das freguesias de São Domingos e Vale de Água, no concelho de Santiago do Cacém, e já se opôs anteriormente à construção de uma central fotovoltaica na mesma zona.

A situação está agora nas mãos do tribunal, que poderá determinar novas medidas, caso se confirme a violação da suspensão ordenada.

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