O Baixo Alentejo vive dias de desespero. A Língua Azul, uma doença viral que afeta ovinos, voltou a atingir proporções alarmantes nos concelhos de Ourique, Castro Verde, Almodôvar, Mértola e Aljustrel, deixando os criadores em choque e a economia rural em risco.
Em setembro, a Rádio Pax revelou em primeira mão que dezenas de ovelhas estavam a morrer subitamente, mesmo após as campanhas de vacinação. Um produtor de Panoias, no concelho de Ourique, relatou na altura a perda de 14 ovelhas em apenas uma semana, descrevendo o cenário como um “verdadeiro pesadelo”. Desde então, a situação agravou-se drasticamente. Já são cerca de 200 explorações afetadas em toda a região. O vírus, segundo os produtores, parece ser o serotipo 3, considerado um dos mais agressivos. “Estão a morrer até animais vacinados em abril. Já não sabemos o que fazer”, lamenta o mesmo criador.
Os veterinários continuam a administrar a vacina existente, mas a sua eficácia está a ser posta em causa. A Rádio Pax sabe que o laboratório responsável já foi contactado, mas ainda não deu qualquer resposta aos produtores, que vivem na incerteza.
A Direção-Geral da Alimentação e Veterinária (DGAV) foi informada do surto, mas no terreno, nada foi feito até agora, acusam os criadores. “Estamos a perder animais todos os dias e ninguém aparece para nos ajudar”, desabafa um produtor, visivelmente revoltado.
O surto anterior, registado em 2024, já tinha levado à vacinação massiva dos rebanhos. Agora, a revolta cresce com o regresso da doença. “Aprovaram uma vacina sem testes suficientes. Estão a brincar com os nossos animais e com a nossa vida”, acusa um dos criadores, denunciando o sofrimento e as perdas avultadas.
Além das mortes, há fêmeas prenhas a abortar e animais incapacitados para reprodução, o que representa prejuízos de milhares de euros. “Gastamos fortunas em antibióticos e anti-inflamatórios, mas os animais acabam por morrer na mesma”, acrescenta.
Os produtores exigem respostas urgentes e medidas eficazes para travar a crise que ameaça devastar a pecuária no Baixo Alentejo. “Possivelmente, poderá aparecer uma nova vacina, resta saber o resultado da sua eficácia”, desabafa um dos produtores.
Enquanto isso, os rebanhos continuam a definhar e o silêncio das autoridades agrava o sentimento de abandono de quem vive da terra e dos animais.