No concelho de Ferreira do Alentejo, a chamada “Estrada do Cardim”, junto à localidade de Figueira dos Cavaleiros, fez hoje mais uma vítima mortal.
Um funcionário da Câmara de Ferreira do Alentejo perdeu a vida num acidente ocorrido naquela via. O alerta foi dado por volta das 13h00. O veiculo caiu num canal de rega.
Esta é a terceira vítima mortal registada naquela estrada.
Os riscos da via foram denunciados recentemente pela Rádio Pax.
Desde que foi alcatroada pela Empresa de Desenvolvimento e Infraestruturas de Alqueva (EDIA), há cerca de vinte anos, já foram contabilizados dezenas de acidentes. Esta via que, teoricamente serviria apenas para tratores agrícolas e veículos de apoio à agricultura, sempre foi utilizada, diariamente, por veículos ligeiros e pesados.
Segundo relatos de moradores da zona, já ocorreram mais de 40 acidentes, com dezenas de feridos e vítimas mortais. Os sinistros acontecem numa curva e contracurva junto a uma ponte, onde a estrada passa sobre um canal de rega. Vários carros já caíram para dentro do canal, tornando o local especialmente perigoso.
Com as obras em curso no IP8, entre Santa Margarida do Sado, Ferreira do Alentejo e Beja, a estrada passou a ser usada como rota alternativa por muitos condutores que procuram fugir às paragens provocadas pelos semáforos e constrangimentos da obra. O resultado é um aumento significativo do fluxo de trânsito numa via que não foi construída para suportar esse tipo de circulação.
A situação não é nova. Moradores confirmam que o problema foi reportado há vários anos à EDIA e à Câmara Municipal de Ferreira do Alentejo. A EDIA chegou a propor a entrega da gestão da via à Associação de Beneficiários da Obra de Rega de Odivelas (ABORO), por esta entidade gerir o sistema de rega local. No entanto, a associação recusou assumir a responsabilidade, alegando que a estrada não integra a sua área de competência. A mesma posição foi adotada pela Câmara de Ferreira do Alentejo, que também rejeitou a tutela da via, sublinhando que se trata de uma estrada agrícola e não de uma via municipal.
“Ninguém quer assumir a responsabilidade por aquela estrada e o perigo mantém-se todos os dias. Há cerca de um mês, um carro com uma mãe e a filha acabou por cair dentro do canal”, contou à Rádio Pax uma das pessoas que passa diariamente no local.
No passado dia 16 de outubro, ocorreu mais um acidente no mesmo ponto crítico. A condutora de um automóvel ligeiro não conseguiu fazer a curva apertada e o veículo acabou por cair dentro do canal de rega, repetindo um cenário que se tornou demasiado frequente.
“A jovem escapou por verdadeiro milagre”, relatou a mesma fonte, descrevendo momentos de grande aflição. “O carro afundou rapidamente e ela ainda ficou submersa durante alguns instantes, antes de conseguir sair e nadar até à margem”, acrescentou.
A verdade é que a “Estrada de Ninguém” permanece um ponto negro. Todos os dias, dezenas de condutores continuam a utilizá-la, muitas vezes sem conhecer o perigo daquela curva, contracurva, ponte e da proximidade do canal de rega, onde tantos acidentes já ocorreram.
Enquanto não houver uma intervenção concreta, seja através da colocação de sinalização adequada, barreiras de proteção ou uma requalificação profunda, o risco continuará a ser uma ameaça constante para quem ali passa.
