Um ano depois de ter recorrido a um Processo Especial de Revitalização, o Vale da Rosa, em Ferreira do Alentejo, começa a deixar para trás um dos períodos mais difíceis da sua história. Em entrevista ao jornal ECO, o diretor-geral António Garcia revela que as vendas de uva sem grainha estão mais de 20% acima do registado no mesmo período de 2025 e anuncia um ambicioso plano de investimento.
A empresa, um dos grandes empregadores do concelho, chegou a enfrentar uma dívida de 16 milhões de euros à banca e a fornecedores. O PER permitiu renegociar essa dívida e criar um plano de sustentabilidade, enquanto a entrada de dois investidores espanhóis reforçou a estrutura acionista.
A campanha de 2026 arrancou uma semana mais cedo e deverá resultar numa produção de cerca de 3.400 toneladas. Apesar da redução da área cultivada, o calibre e o teor de açúcar da fruta estão a alimentar o otimismo da administração.
António Garcia garante ao ECO que o objetivo não passa por crescer de forma acelerada, mas por consolidar a operação. Uma das mudanças passa pela aposta exclusiva em variedades de uva sem grainha, consideradas mais valorizadas pelos consumidores.
Outra estratégia passa por manter o negócio ativo durante mais meses do ano. Depois de terminar a produção nacional, a empresa passou a comprar uva em mercados internacionais, incluindo Itália, Peru, África do Sul e Chile. A estratégia permitiu manter vendas praticamente contínuas entre julho de 2025 e maio de 2026.
Mais de metade da produção do Vale da Rosa é destinada à exportação, com o Reino Unido entre os principais mercados. E esta aposta internacional vai obrigar a reforçar a capacidade de armazenamento e frio.
O plano de investimento ainda está a ser definido, mas deverá rondar 10 milhões de euros nos próximos três a quatro anos.
A empresa está também a preparar novas soluções comerciais, entre elas uma embalagem familiar de 750 gramas, com sistema de abertura e fecho, destinada a prolongar a conservação da uva no frigorífico.
Depois de um período marcado pela incerteza financeira, o Vale da Rosa entra assim numa nova fase. A administração fala em cautela, mas também em confiança: a empresa quer crescer, mas, desta vez, com uma prioridade bem definida, consolidar o negócio antes de acelerar.