O edifício do antigo Governo Civil de Beja, outrora uma referência de dignidade e imponência arquitetónica, transformou-se hoje num verdadeiro fantasma do que foi. Apesar de albergar ainda diversos serviços públicos — como o Comando e Núcleo de Armas da PSP, a AIMA, o Instituto da Mobilidade e dos Transportes, a Proteção Civil, a Direção de Finanças e até a Assembleia Municipal de Beja —, a realidade que se vive no interior é de degradação profunda e alarmante.
Vários acessos estão atualmente interditos à circulação. O estuque do teto cai há anos, as infiltrações no inverno formam autênticas cascatas, as paredes desfazem-se ao toque e o chão do salão nobre, no primeiro andar — onde até há pouco se realizavam as assembleias municipais — está em colapso iminente.
“Isto é um perigo para quem cá trabalha. Qualquer dia acontece um acidente grave. Já não é só uma questão de manutenção, é mesmo estrutural”, relata uma das funcionárias com quem a Rádio Pax falou.
A origem do problema remonta ao fim dos Governos Civis. Enquanto havia um Governador Civil, as obras, embora pontuais, iam sendo feitas. Desde a extinção dessa figura, a situação agravou-se de ano para ano. Hoje, o telhado está completamente degradado e os algerozes entupidos com entulho e dejetos de pombos. Um cenário que não só põe em risco quem lá trabalha diariamente, como compromete o funcionamento normal de serviços essenciais do Estado.
A entidade responsável pela gestão deste património é a ESTAMO — Participações Imobiliárias, S.A., uma empresa pública. Segundo Conceição Casanova, presidente da Assembleia Municipal de Beja (AMB), já foram feitos diversos contactos com a ESTAMO no sentido de resolver o problema. Mas a resposta é sempre a mesma: “cada entidade é responsável pelo seu próprio espaço”. A presidente da AMB esclarece que “estamos a falar de problemas estruturais! Não podemos intervir num edifício que nem é da nossa responsabilidade direta. A Câmara pode fazer pequenas intervenções, mas isso não resolve o essencial”.
A situação chegou a um ponto tal que a Assembleia Municipal de Beja já deixou de utilizar o salão nobre — que, recorde-se, era o principal espaço para as reuniões — e pondera agora denunciar o contrato com a ESTAMO, caso o problema não seja resolvido com urgência.
A Rádio Pax apurou que, apesar da insistência das entidades locais, a ESTAMO continua a remeter para as entidades instaladas no edifício a responsabilidade pelas intervenções. Mas mesmo que estas fizessem obras nos seus espaços, o problema continuava e o edifício voltaria a transformar-se, no inverno, numa piscina coberta. Enquanto as responsabilidades se trocam e as respostas se arrastam, o edifício do antigo Governo Civil de Beja continua a degradar-se. Os riscos aumentam. E a pergunta impõe-se: quantos alertas mais serão precisos antes que algo de grave aconteça?









