Os agricultores do Baixo Alentejo voltam a manifestar preocupação face à ausência de respostas do Governo perante os prejuízos causados pela doença da Língua Azul. As críticas partem de Rui Garrido, que denuncia a falta de medidas concretas de apoio ao setor.
Em entrevista à Rádio Pax, o responsável da ACOS considera que os alertas feitos pelos produtores não estão a ser devidamente compreendidos pelo executivo. Segundo afirma, “nós queixamo-nos e com razão, mas parece que às vezes o senhor ministro (da agricultura) não percebe, não entende aquilo que nós lhe dizemos”.
Rui Garrido sublinha que os prejuízos provocados pela doença foram ainda agravados pelas recentes condições meteorológicas adversas. A intempérie, explica, deixou muitos rebanhos sem assistência veterinária, com falta de alimento e expostos a condições extremas, o que intensificou problemas já existentes como abortos e dificuldades de fertilidade.
O dirigente agrícola lamenta a ausência de medidas de apoio financeiro, referindo que o setor aguardava um anúncio, durante a última Ovibeja, por parte do Governo que ainda não chegou.
Como termo de comparação, aponta o caso de Espanha, onde foram rapidamente disponibilizadas ajudas para fazer face à doença. “Estamos aqui ao lado e os espanhóis tiveram logo apoio para esta situação grave, coisa que nós não tivemos”, critica.
Face a este cenário, os agricultores do Baixo Alentejo alertam para o agravamento das dificuldades no terreno e insistem na necessidade urgente de respostas que minimizem os impactos da Língua Azul no setor pecuário.